A empresa restaurou no espelho mensal o horário de saída registrado por Raul durante uma visita técnica depois de identificar uma alteração manual feita no dia seguinte ao atendimento. A marcação original continuava disponível no histórico, mas havia sido substituída por 17h30 sem justificativa ou identificação de responsável.
Raul havia deixado a sede pela manhã, atendido um cliente e registrado a entrada e o intervalo no aplicativo. Ao concluir o serviço, acionou a saída e viu a confirmação na tela, às 19h12. Ele não fez uma captura naquele momento porque já usava o sistema havia meses sem enfrentar problemas.
A divergência apareceu no fechamento mensal. Enquanto outros dias mantinham horários compatíveis com seus registros, aquela data mostrava 17h30. Não havia indicação de correção, motivo ou pessoa responsável pela mudança. Raul então pediu ao setor administrativo o histórico das marcações, os comprovantes e os dados dos ajustes.
Registros usados na conferência
A ordem de serviço indicava um teste realizado às 18h35. Em uma mensagem enviada ao supervisor pouco depois, Raul informava o encerramento da visita. O controle de acesso à instalação também registrava uma saída depois das 19h. Esses documentos foram analisados em conjunto para reconstruir o período do atendimento.
Raul também explicou que, depois do teste, ainda havia organizado ferramentas e retornado de carro da instalação. A dúvida principal não era considerar automaticamente todo o deslocamento como tempo trabalhado, mas identificar por que a marcação confirmada no aplicativo não aparecia no espelho e qual registro havia sido preservado.
A primeira resposta do setor administrativo informou que o sistema havia “adequara” o ponto à jornada prevista. A explicação não esclarecia se a alteração tinha ocorrido por falha de sincronização, procedimento automático, lançamento manual ou autorização. Por isso, Raul solicitou o comprovante da marcação, o histórico de edições e o critério aplicado no fechamento.
Correção e revisão do procedimento
Na apuração, o setor encontrou uma edição manual feita no dia seguinte à visita. O horário tinha sido trocado por um padrão após a identificação de uma divergência na escala, mas o campo destinado à justificativa ficou vazio. A empresa reconheceu a alteração, recuperou a marcação original e anexou a explicação ao registro.
O supervisor confirmou o fim do teste no horário indicado na ordem de serviço. O espelho corrigido foi entregue a Raul antes da conferência mensal, e ele também pediu o comprovante e o histórico da ocorrência.
A análise sobre jornada, intervalo, compensação e deslocamento ficou separada da recuperação do registro. Assim, a correção do ponto não definiu automaticamente o pagamento de horas adicionais, mas impediu que 17h30 permanecesse como se fosse a única marcação realizada por Raul.
Depois do caso, Raul passou a guardar os comprovantes de cada marcação e a comparar o espelho antes do fechamento. A empresa revisou a rotina para exigir motivo e identificação de quem fizer uma alteração. Em visitas externas, eventuais problemas de rede ou mudanças de programação deverão continuar sujeitos à conferência pelo histórico do sistema.







