Um ipê sem folhas pode parecer seco ou parado, mas essa aparência muitas vezes faz parte do ciclo natural de espécies do gênero Handroanthus. A queda da folhagem costuma acontecer antes da floração, deixando os galhos expostos quando os botões começam a surgir.
Os ipês são árvores caducifólias, que perdem as folhas em determinada época do ano. Em espécies adaptadas a períodos de estiagem, esse processo se relaciona à sazonalidade e à economia de água. Durante a estação seca, a redução da superfície foliar pode diminuir a perda de água e acompanhar uma fase de menor atividade vegetativa.
Quando as flores aparecem
O intervalo entre a queda das folhas e a floração não é igual para todos os ipês. Cada espécie apresenta um comportamento próprio. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro registra que Handroanthus serratifolius floresce entre agosto e novembro, quando a árvore está sem folhagem. Já Handroanthus albus tem floração entre julho e setembro, depois de perder as folhas.
Pesquisas da Embrapa com Handroanthus spongiosus identificaram variações sazonais na queda das folhas e nas fases reprodutivas, associadas a fatores como precipitação e fotoperíodo. O Jardim Botânico de Jundiaí também registra que diferentes espécies de ipê-amarelo perdem as folhas no inverno e ficam cobertas de flores no início da primavera.
Sem a copa cheia, os botões e as flores se destacam diretamente nos ramos. A florada pode parecer mais intensa porque quase não há folhas disputando espaço visual com as flores. Dependendo da espécie ou variedade, elas podem ser amarelas, rosas, roxas ou brancas.
A falta de folhas, sozinha, não confirma que a árvore morreu. É preciso considerar a época do ano e a espécie. Para acompanhar o exemplar, observe os ramos, os brotos e a evolução da copa ao longo das semanas. Galhos flexíveis e vivos, gemas e o surgimento posterior de flores ou folhas indicam situações diferentes de partes realmente mortas. Em caso de dúvida, uma avaliação profissional pode ajudar, especialmente se houver galhos quebrados, apodrecimento ou ausência prolongada de brotação.







