O documentário The History of Concrete, do diretor americano John Wilson, arrecadou US$ 90 mil em uma única sala de Nova York entre 19 e 20 de setembro. A marca, registrada no IFC Center, é a segunda maior bilheteria de um fim de semana na história do cinema, atrás de Parasita, vencedor do Oscar que faturou cerca de US$ 119 mil em 2019.
O filme estreou no Festival de Sundance em janeiro e será exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, marcada para 15 a 29 de outubro. A produção acompanha o interesse de Wilson pelo concreto e também os obstáculos para financiar um projeto sobre um tema considerado banal.
Da câmera do pai à HBO
Nascido em outubro de 1986, em Nova York, Wilson começou a gravar ainda na infância, usando uma câmera do pai. Mais tarde, estudou cinema documentário na Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos.
Os primeiros curtas do diretor foram publicados no Vimeo. Em entrevista ao The New York Times, Wilson contou que cada filme exigia um ano de coleta de imagens, além de roteiro e edição. Ele produzia os trabalhos enquanto mantinha outros empregos.
Um dos curtas é Temporary Color (2015), realizado depois que o músico David Byrne convidou Wilson para acompanhá-lo em uma turnê. Em 2018, o diretor conheceu Nathan Fielder, que passou a colaborar com suas produções. Dois anos depois, estreou na HBO a série documental de comédia How To With John Wilson, produzida executivamente por Fielder.
A série foi construída a partir das caminhadas de Wilson por Nova York, feitas com uma câmera digital ou um iPhone. O diretor reunia imagens de moradores, placas com erros ortográficos e letreiros engraçados. Depois, escrevia os roteiros com base nesse material e acrescentava situações pessoais para criar ritmo e humor.
“Há uma falta de representação do mundano, mas também é com isso que as pessoas mais se conectam”, disse Wilson à revista The New Yorker. A produção teve três temporadas, todas com avaliação de 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. No Metacritic, as médias indicam “aclamação universal”. A série foi indicada ao Emmy em 2022 e 2024, mas não venceu.
O concreto como ponto de partida
A ideia do novo filme surgiu depois que o porão de Wilson alagou e ele tentou consertá-lo sozinho. A experiência o levou a investigar o material presente em sua casa e a pensar em como convencer financiadores de Hollywood a apoiar uma produção sobre concreto.
A estrutura se aproxima da usada em How To With John Wilson: o diretor parte de um assunto inicial e amplia a discussão para outros temas, com piadas visuais ao longo do caminho. “Faço trocadilhos a torto e direito nesse filme”, afirmou à Vulture.
Durante o documentário, Wilson visita convenções sobre concreto e conversa com figuras da política de Nova York. A produção também trata de mortalidade, moradia nos Estados Unidos e da relação do diretor com a fama. Entre as preocupações apresentadas está a durabilidade do material, que, nas palavras de Wilson, “não é para 1.000 anos, mas mais para um século”.
O filme ainda acompanha a dificuldade de obter financiamento. Para a crítica Alissa Wilkinson, do The New York Times, a produção mostra como o diretor transforma um tema cotidiano em uma investigação capaz de provocar emoção. Já Stephanie Zacharek, da revista Time, escreveu que o documentário revela como Wilson conecta pensamentos aparentemente aleatórios.








