A movimentação dos leopardos-das-neves no Himalaia atravessa fronteiras nacionais e pode exigir novas formas de planejar a conservação. Dados de satélite mostraram que os felinos acompanhados circulam por diferentes vales e passam parte do tempo fora das áreas protegidas em que foram monitorados.
Na Área de Conservação de Kangchenjunga, no leste do Nepal, pesquisadores instalaram coleiras com transmissores em quatro animais. O acompanhamento durou mais de mil dias e reuniu milhares de coordenadas. A extensão registrada foi dezenas de vezes maior que as estimativas feitas anteriormente com transmissores manuais, que cobriam distâncias menores.
A análise indicou que a maior parte dos leopardos cruzou repetidamente as fronteiras entre Nepal, Índia e China. Alguns permaneceram mais de um terço do período rastreado em território estrangeiro. O resultado mostra que a rotina da espécie se organiza pela continuidade da paisagem, e não pelas divisões políticas.
Terreno e disponibilidade de presas
Os registros apontaram preferência por estepes alpinas e encostas com inclinação moderada. Os animais evitaram geleiras profundas, paredões verticais extremos e áreas de neve permanente. A presença de presas de montanha também influenciou as rotas escolhidas.
Os pontos de localização alcançaram grandes altitudes, indicando adaptação às condições das cordilheiras. A topografia e a disponibilidade de alimento ajudaram a definir a distribuição de cada indivíduo.
Conservação além das divisas
Os dados colocam limites rígidos de parques nacionais como um desafio para a proteção da espécie. Quando um animal ultrapassa o perímetro de uma reserva, ele pode ficar exposto a ameaças em áreas sem a mesma cobertura de conservação.
Entre as medidas apontadas estão o mapeamento transfronteiriço, a criação de corredores biológicos e a ampliação de patrulhas conjuntas em zonas limítrofes. A cooperação entre Nepal, Índia e China também pode incluir o compartilhamento contínuo de dados de satélite e ações integradas de proteção.
O canal WWF Nepal registrou em vídeo a colocação de um colar na fêmea Lapchhemba.







