Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Liliana Herrero destaca memória e comunidade em meio à crise argentina

Cantora participa de espetáculo em Porto Alegre e fala sobre música, território, resistência e o cenário político sob Javier Milei.

Liliana Herrero destaca memória e comunidade em meio à crise argentina

A cantora argentina Liliana Herrero participa nesta quinta-feira (10), às 20h, do espetáculo “La Pampa Grande”, que abre a 33ª edição do Porto Alegre em Cena, no Teatro Simões Lopes Neto. O encontro reúne artistas brasileiros e argentinos em uma celebração de vínculos culturais construídos entre os dois países.

A apresentação retoma uma história iniciada há 30 anos, quando a primeira edição do festival foi organizada em Buenos Aires por Luciano Alabarse e Carlos Villalba. Também participam Dolores Solá, Carlos Villalba, Hique Gomez, Arthur de Faria, Vitor Ramil, Pedro Longes e Nina Nicolaiewsky. O grupo conta ainda com os violonistas argentinos Diogo Rolón e Pedro Rossi e o percussionista brasileiro Giovanni Berti.

Em entrevista, Herrero relacionou sua participação ao momento vivido pela Argentina e afirmou que sair do país para fazer música e encontrar outros artistas é importante. “É muito importante poder sair da Argentina por alguns dias”, disse.

Música, território e memória

Para a cantora, a relação entre a música e o lugar onde ela nasce é central. Ela defende que a canção carregue a memória de seu território e que o ato de cantar também ajude a construí-lo, inclusive de forma crítica.

Herrero prefere tratar determinadas obras como canções testemunhais, e não como canções de protesto. A ideia, explicou, é registrar o que acontece em um país e preservar experiências coletivas. Na avaliação dela, a memória continua essencial para a música, mesmo em um ambiente marcado pela tecnologia e pelos algoritmos.

A artista também destacou as diferenças entre as tradições musicais dos dois países. Segundo ela, a variedade rítmica brasileira é surpreendente e costuma estar ligada à dança e às festas. A música argentina, por sua vez, teria ritmos mais melancólicos, embora também reúna diversas melodias tradicionais e trabalhos contemporâneos.

Para Herrero, os encontros entre músicos dos dois lados da fronteira permitem uma troca de memórias e perspectivas artísticas. Ela citou a amizade com Mercedes Sosa e Teresa Parodi e mencionou o disco “Hasta que amanezca”, lançado por Parodi.

Novo disco e escrita

Herrero lançou o álbum “Fuera de Lugar”. O título, segundo ela, não representa desistência, mas a decisão de deixar um ambiente hostil para construir outro tipo de comunidade e de relação entre as pessoas. A proposta do trabalho é imaginar um lugar mais solidário, comunitário e emancipado.

A cantora também escreveu o livro “Desandar los días, correspondencias y conjuros” com María Pía López. A obra nasceu da troca de e-mails entre as duas e, para Herrero, abriu uma experiência de escrita que pode continuar em novos projetos.

Ela afirmou ainda que pensa em um próximo disco, embora o trabalho esteja em fase inicial. Ao falar sobre a Argentina, demonstrou expectativa com as eleições de 2027 e disse esperar uma mudança no cenário político.

Críticas ao governo argentino

Na avaliação da cantora, a Argentina atravessa um período de grande dificuldade sob o governo de Javier Milei. Ela criticou a política econômica, mencionou o desemprego, as demissões, o enfraquecimento da indústria e o endividamento da população.

Herrero afirmou que 6 milhões de pessoas estão endividadas por terem recorrido a créditos para comprar comida, pagar impostos, despesas da casa ou transporte público. Também denunciou a repressão a manifestações de aposentados, pessoas com deficiência e outros grupos.

Segundo ela, os protestos ocorrem todas as semanas e são reprimidos com gás, água, empurrões e golpes. A cantora citou a atuação da Gendarmeria Nacional Argentina e disse que pessoas de 80 anos ou mais têm sido atingidas durante as mobilizações.

Ela pediu unidade aos partidos que fazem oposição ao governo e cobrou a apresentação de um plano para o país. Para Herrero, a discussão precisa considerar como reconstruir a Argentina depois do atual governo.

Arte como espaço de comunidade

Herrero diferencia cultura e arte. Para ela, cultura é tudo o que um povo produz, incluindo sua economia. A arte, por outro lado, tem especificidades próprias em cada linguagem.

Apesar da distinção, a cantora considera que acontecimentos artísticos podem criar comunidades entre músicos, artistas e público. Essas comunidades, em sua visão, devem buscar liberdade e emancipação.

Diante do cenário político, ela defende que os artistas cantem, mas também participem de ações coletivas, acompanhem manifestações e fortaleçam vínculos fora dos palcos. A cantora recomendou reduzir a dependência das redes sociais, sair às ruas e construir relações de amizade e resistência.

Para Herrero, ainda existe espaço para a utopia e para a recuperação da memória coletiva. O caminho, afirmou, passa pela insistência, pela resistência, pela vida comunitária e pela capacidade de imaginar outro futuro.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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