Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados nas simulações de primeiro e segundo turno da eleição presidencial, segundo a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (30). Para o cientista político Benedito Tadeu César, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o crescimento de Flávio parou, enquanto os levantamentos não registram mudanças relevantes.
César avalia que é muito baixa a possibilidade de a eleição terminar no primeiro turno. Na análise dele, uma eventual transferência de votos de outros candidatos de direita para Flávio não ocorreria de forma automática. Parte desse eleitorado, segundo o cientista político, não votaria no senador e teria Lula como segunda opção.
“Eleição só sabe o que aconteceu quando terminar a apuração, mas é um cenário de tensão”, afirmou César.
Nordeste e avaliação do governo
Em Pernambuco, Lula registra mais que o dobro das intenções de voto e seria eleito no primeiro turno com larga vantagem. César observa que o presidente é pernambucano, mas atribui o desempenho também a mudanças que, na avaliação dele, ocorreram durante os governos de Lula.
“O Nordeste, com os governos do Lula, se transformou radicalmente; é outra coisa”, disse. O cientista político também relaciona a vantagem a indicadores sociais melhores, ao aumento do emprego, a ganhos salariais e à inflação baixa, considerada por ele a menor dos últimos dez anos.
Apesar disso, César afirma que a população não percebe essa melhora no dia a dia. Ele menciona o custo de vida e os salários tradicionalmente baixos e defende trabalho conjunto para elevar o salário mínimo, algo que, segundo ele, dependeria de desenvolvimento econômico e pressão social.
Cenário em Minas Gerais
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, Lula e Flávio também aparecem tecnicamente empatados. O presidente tem compromissos de campanha no estado, em Juiz de Fora e em Belo Horizonte.
Para César, a estratégia considera a diversidade mineira. Ele cita uma região metropolitana desenvolvida e com tendência mais progressista, pequenos municípios, o Vale do Jequitinhonha — uma das regiões mais pobres do país — e um estado que também é religioso e conservador. Essa composição, afirma, faz de Minas um estado que expressa a polarização observada no Brasil.







