SÃO PAULO — A taxação dos super-ricos, a participação popular no orçamento, a reindustrialização e a reforma agrária estão entre as onze propostas do manifesto “Um Novo Ciclo de Transformações no Brasil”, lançado nesta quarta (16), na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O documento também defende o fortalecimento da soberania nacional.
Convocado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), o ato reuniu entidades estudantis, movimentos populares e líderes partidários. As falas destacaram a necessidade de ampliar o envolvimento na campanha eleitoral a 18 dias do primeiro turno e associaram o resultado das eleições de outubro à execução das medidas apresentadas.
Defesa da democracia
A presidenta da UNE, Bianca Borges, ressaltou o histórico político do Largo São Francisco. Ela lembrou que a faculdade recebeu, em 1977, a leitura da Carta aos Brasileiros, em oposição à ditadura militar, e sediou, em 2022, uma manifestação em defesa da democracia. “A história nos ensina que a democracia exige vigilância, exige coragem e, sobretudo, exige gente disposta a defendê-la”, afirmou.
O manifesto sustenta que o próximo governo democrático e popular deve iniciar um ciclo de transformações que enfrente privilégios e estabeleça bases para um projeto nacional de desenvolvimento, com soberania e justiça social. O texto foi assinado por representantes dos movimentos populares e dos setores jurídico, educacional, cultural e da sociedade civil.
Campanha nas ruas
Edinho Silva, presidente do PT, disse que a eleição definirá os rumos do país. Ele também relacionou o cenário brasileiro ao avanço da extrema direita em outros países e chamou Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de “grande líder fascista da atualidade”. Na avaliação dele, Luiz Inácio Lula da Silva é o “principal líder democrático do Ocidente”.
Gilmar Mauro, da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), citou a influência do governo Trump nas próximas eleições e nos rumos da América Latina. Ele defendeu mais presença nas ruas e pediu que a militância converse com mulheres pretas periféricas, pessoas de 60 anos e pessoas de 70 anos.
A presidenta do Psol, Paula Coradi, também cobrou mobilização na reta final. Nádia Campeão, presidenta do PCdoB, afirmou que a vitória de Lula é necessária para conduzir o processo previsto no manifesto.
Homenagem a Amelinha Teles
As falas ainda lembraram Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos que morreu na terça (15), aos 81 anos. A secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila Carvalho, destacou a trajetória dela na defesa da democracia e dos direitos das mulheres.







