CURITIBA — Cerca de mil pessoas participaram, nesta segunda-feira (7), do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas, que percorreu o centro da cidade com críticas ao fascismo, à violência de gênero e à escala 6×1. A mobilização também defendeu o direito à moradia e a soberania nacional.
O ato reuniu movimentos populares, povos indígenas e outras organizações, em contraponto ao desfile cívico-militar do Dia da Independência do Brasil. A marcha começou por volta das 14h30, na Praça Tiradentes, marco zero de Curitiba, com um lanche compartilhado para pessoas em situação de rua, preparado pelo coletivo Marmitas da Terra.
A abertura teve danças e cantos dos povos Kaingang, Guarani e Xetá. Mais de 60 pessoas vieram de uma ocupação indígena da Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com as informações apresentadas no ato, o Paraná tem quatro retomadas indígenas sob risco de despejo.
Pautas da mobilização
Os manifestantes passaram por um trecho do Largo da Ordem e seguiram pela avenida Mateus Leme. Em frente ao shopping Mueller, cobraram o fim da escala 6×1 e pintaram na entrada do estabelecimento a frase: “A escala 6×1 é mortal”.
No mesmo local, houve uma manifestação contra a extrema direita e o fascismo. Foram queimados bonecos com os rostos de Donald Trump, Flávio Bolsonaro e Sergio Moro, além de um boné do partido Missão. Os participantes também entoaram a palavra de ordem “Fora Trump da América Latina! Fora Israel das terras palestinas!”.
Ana Clara Nunes, uma das organizadoras, afirmou que o Grito busca reunir pessoas que vivem à margem da sociedade para pressionar por um país mais justo. Militante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), ela disse: “Toda mudança começa com a multidão de gente na rua, reivindicando o mesmo objetivo”.
A pauta indígena também esteve presente. Edson Tuvy, liderança Kaingang e morador da ocupação Parque do Mate, em Campo Largo (PR), declarou: “O estado do Paraná é indígena, a gente tem história”.
A violência de gênero foi associada à defesa da soberania e ao fim da escala 6×1. Segundo Ana Clara, a jornada é mais pesada para as mulheres porque o sétimo dia, destinado ao descanso, costuma ser ocupado pelo trabalho doméstico.
O ato terminou na Praça 19 de Dezembro, à noite, com atividades culturais. A Bloca Ela Pode, Ela Vai, coletivo feminista de carnaval fundado em 2018, em Curitiba, participou da mobilização com gritos e batucadas. Organizado pela Frente de Lutas, o 32º Grito teve como lema “Na defesa da Terra, da paz e da moradia, erguemos a voz: mulheres vivas e soberania!”.







