Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro mostram cobranças recorrentes para liberar recursos destinados a Dark Horse, filme de propaganda sobre Jair Bolsonaro (PL). As conversas com o cunhado Fabiano Zettel registram atrasos, entraves cadastrais e tentativas de definir empresas para realizar os pagamentos.
Em 20 de janeiro de 2025, Zettel avisou que o responsável pelo filme cobrava uma solução e havia enviado um fluxo de pagamentos. No dia anterior, o publicitário Thiago Miranda também havia indicado urgência para o primeiro aporte da produção.
A pressão aumentou em 21 de janeiro, enquanto Vorcaro permanecia sem dar uma definição sobre o filme e outros pagamentos. Zettel pediu orientação e mencionou um fluxo de “55,5 milhões”. Ao ser questionado se o filme estava incluído, respondeu que não e citou “10 de 2.5 de dólares”.
Uma semana depois, Vorcaro classificou a tarefa como “o mais importante disparado” e afirmou que ela não poderia falhar novamente. Em 29 de janeiro, Zettel relatou que a empresa criada para fazer os pagamentos não tinha cadastro suficiente para operações de câmbio. No dia seguinte, informou que o repasse seria de “2M de dólares”.
Em 3 de fevereiro, a definição da empresa responsável continuava pendente. Zettel também relacionou o filme a outras liberações financeiras. As mensagens mencionam uma carta de “34M” para despesas, o filme e SL.
Alternativa para os repasses
Em 5 de fevereiro, Vorcaro sugeriu fazer a operação por meio da Entre Investimentos e Participações, ligada a Antonio Carlos Freixo Júnior, chamado nas conversas de “Mineiro”. Zettel afirmou que pediria ajuda a ele, e Vorcaro orientou o envio do dinheiro.
As mensagens também registram dúvidas sobre o destinatário dos pagamentos no exterior. Zettel mencionou um fundo, enquanto Vorcaro questionou a falta de informação sobre essa estrutura. Em 6 de fevereiro, Thiago Miranda voltou a cobrar a liberação do filme. Vorcaro afirmou que operações de câmbio haviam sido devolvidas duas vezes e que tentaria resolver a situação.
Em 11 de fevereiro, Zettel disse que havia repassado a operação ao “Mineiro”, que também enfrentava dificuldades. A justificativa apresentada foi a existência de problemas cadastrais e de informações consideradas incomuns. Três dias depois, ele compartilhou um comprovante de transferência de 2 milhões de dólares da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo era comandado pelo advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro.
As cobranças continuaram depois da primeira transferência. Em 12 de março, Miranda informou que somente a primeira parcela de janeiro havia sido paga. Vorcaro então pediu que Zettel acompanhasse a segunda e a terceira parcelas. Em 18 de agosto de 2025, Miranda relatou novos atrasos, e o banqueiro disse que mantinha esforço máximo e prioridade total para resolver a situação.
Vorcaro chegou a pagar mais de 60 milhões de reais por meio do Havengate, supostamente para viabilizar Dark Horse. O acordo inicial, porém, previa cerca de 134 milhões de reais. O financiamento é investigado pela Polícia Federal, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes atribuídos, em tese, a Flávio Bolsonaro.







