A participação das mulheres na política brasileira foi um dos pontos centrais de um encontro on-line realizado pelo Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (GT Mulheres da ANA). Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgados em julho deste ano, mostram que elas representam 52,84% do eleitorado, mas ainda ocupam uma parcela menor dos espaços de poder e decisão.
A atividade ocorreu em 8 de setembro e reuniu candidatas aos cargos de senadora, deputada federal e deputada estadual de diferentes unidades da Federação. A proposta foi discutir de que maneira o feminismo e a agroecologia aparecem nos projetos políticos das participantes.
Participação política e violência de gênero
A sub-representação feminina foi relacionada, no debate, à sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados não remunerados, à desigualdade na distribuição de recursos dentro dos partidos e à violência política de gênero. Essa violência inclui ameaças de morte e estupro contra candidatas ou mulheres eleitas.
A defesa apresentada é que a atuação parlamentar enfrente as agressões vividas pelas mulheres e o discurso de ódio atribuído à extrema direita no Brasil e no mundo. Entre as pautas citadas estão o combate ao feminicídio, à violência de gênero e à violência racial.
Sarah Luiza, integrante da coordenação do GT Mulheres da ANA, afirmou que o encontro buscou conhecer as trajetórias das candidatas e suas propostas. “É muito importante ouvir como as histórias de vida e de luta dessas candidatas” — disse.
Participaram Dani Portela, candidata a deputada estadual em Pernambuco pelo PT; Jô Oliveira, candidata a deputada estadual na Paraíba pelo PCdoB; Maria Madalena Nunes, candidata a senadora no Piauí pelo PSOL; Rosa Amorim, candidata a deputada federal em Pernambuco pelo PT; Maria da Consolação Rocha, candidata a deputada federal em Minas Gerais pelo PSOL; Marina Campos, candidata a deputada estadual em Minas Gerais pelo PSOL; e Vanda Witoto, candidata a deputada federal no Amazonas pelo MDB.
Agroecologia no centro das propostas
Antes da conversa, foi apresentada a carta política “Por um Brasil Soberano e Agroecológico: aprofundar a democracia para construir um futuro com justiça, sustentabilidade e paz”. O documento foi elaborado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), com participação direta do GT Mulheres, para as eleições de 2026.
A carta reúne reivindicações históricas do campo e propostas para a administração pública e o Legislativo. Também descreve um cenário de ameaças à democracia, avanço de discursos neofascistas, racismo, sexismo e LGBTQIAPN+fobia, além de crises social, política, econômica, ecológica, cultural e alimentar, cuja expressão mais visível é a emergência climática.
Entre os obstáculos apontados estão a expansão do agronegócio e da mineração em áreas de povos tradicionais, mudanças que reduzem a proteção ambiental e regulatória sobre agrotóxicos, o crescimento das agressões de gênero e raça no campo e nas cidades e a disseminação de desinformação por inteligência artificial e plataformas digitais.
Marina Campos defendeu a atuação das mulheres na agroecologia, na soberania alimentar e na reforma agrária. Para ela, essa agenda expressa a prioridade dada à vida em relação ao lucro e inclui políticas públicas de saúde e meio ambiente.
O artigo é assinado por Manu Maia, integrante do Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia.








