NOVO MÉXICO — Pólen terrestre e cristais de quartzo foram usados em novas análises das pegadas humanas de White Sands. Os resultados ficaram compatíveis com a cronologia inicial, que situa a presença de pessoas na região entre 21 mil a 23 mil anos atrás, durante o Último Máximo Glacial.
A confirmação veio depois de questionamentos sobre o primeiro método de datação. Na pesquisa inicial, sementes da planta aquática Ruppia cirrhosa encontradas acima e abaixo das marcas foram analisadas por radiocarbono. A possibilidade de plantas aquáticas incorporarem carbono antigo, fazendo com que parecessem mais velhas, levou à busca por materiais independentes.
As novas medições combinaram radiocarbono em pólen terrestre com luminescência em cristais de quartzo. A concordância entre métodos diferentes diminui a possibilidade de que um único viés explique todas as idades. Ainda assim, novas amostras continuam importantes para a discussão sobre as pegadas de White Sands.
Marcas preservadas nas margens do lago
Durante o Pleistoceno, a área hoje ocupada pelas dunas brancas do Novo México abrigava o lago Otero e regiões lamacentas. Crianças e adultos passaram por essas margens úmidas, onde também circulavam mamutes, preguiças-gigantes e outros animais. Os passos deformaram os sedimentos, que endureceram depois de serem cobertos por novas camadas.
A erosão voltou a expor algumas trilhas, mas vento e água podem apagar rapidamente a superfície. Por isso, os pesquisadores registram a direção, a profundidade e a relação entre as marcas durante o mapeamento.
Os tamanhos e os padrões das pegadas indicam a presença de crianças, adolescentes e adultos. Algumas sequências mostram deslocamentos de ida e volta. Uma trilha conhecida pode registrar um adulto carregando uma criança em parte do trajeto. Essas interpretações são baseadas em medidas e biomecânica; as marcas não revelam a identidade nem a intenção de quem passou pelo local.
As datas desafiam modelos que situavam a chegada humana às Américas muito depois do auge glacial. Porém, White Sands não define sozinho as rotas, o número de migrações ou a ancestralidade de todos os povos. A origem e a dispersão dessas populações dependem da combinação de sítios, genética, clima e novas descobertas.







