Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Filmes sobre músicos reabrem arquivos afetivos e levam canções de volta ao público

Produções sobre Caetano Veloso, Cássia Eller, Chorão e outros artistas combinam memória, ficção e novas formas de ouvir seus catálogos.

Filmes sobre músicos reabrem arquivos afetivos e levam canções de volta ao público
Foto: Ariela Bueno/Jorge Bispo/Ariela Bueno/divulgação

A estreia de filmes e séries sobre músicos tem feito o público reencontrar canções, personagens e períodos da história brasileira. O efeito aparece tanto na produção de novas obras quanto no interesse renovado pelos catálogos dos artistas retratados.

Quando a música vira memória

Um dos projetos em andamento parte de Transa, álbum lançado por Caetano Veloso em 1971. O filme está sendo desenvolvido pelos documentaristas Renato Terra e Ricardo Calil, que já dirigiram Uma Noite em 67 e Narciso em Férias. A dupla entrevistou Caetano, registrou ensaios, show e bastidores de uma apresentação no festival Doce Maravilha, realizada com os músicos que participaram da gravação do disco. A montagem ainda não começou.

Renato Terra relaciona o trabalho de Caetano e Gilberto Gil à imagem de um país moderno, livre e plural que enfrentava a ditadura militar. “Isso era tudo que os ditadores mais temiam”, afirmou o diretor.

A trajetória de Transa faz parte de um ciclo mais amplo. Obras de ficção, documentários e séries passaram a revisitar nomes que atravessaram gerações, entre eles Ney Matogrosso, Gal Costa, Milton Nascimento, Luiz Melodia, Raul Seixas e Chorão. Estão nesse conjunto Homem com H, Meu Nome É Gal, Meu Sangue Ferve por Você, Milton Bituca Nascimento, Luiz Melodia — No Coração do Brasil, Narciso em Férias e Raul Seixas: Eu Sou.

O desafio de mostrar além do palco

A cinebiografia de Cássia Eller, Cássia — O Filme, tem produção prevista para começar em outubro. Diego Freitas vai dirigir o longa, e Luisa Arraes interpretará a cantora. A produção é da Migdal Filmes, de Iafa Britz.

O projeto pretende abordar a artista para além das apresentações que marcaram sua carreira, incluindo a participação no Rock in Rio de 2001. Para Iafa, o trabalho envolve mostrar a intimidade de Cássia sem reduzir sua personalidade à imagem pública. A produtora também relaciona a história da cantora às exigências enfrentadas por mulheres que precisam conciliar maternidade, família, trabalho e exposição.

A produção dialoga com o documentário Cássia Eller, lançado em 2014 e também realizado pela Migdal. Na nova obra, a equipe pretende construir uma representação ficcional da cantora, em vez de deixar que outras pessoas falem por ela.

Outro longa em desenvolvimento é Chorão: Só os Loucos Sabem, sobre Alexandre Magno Abrão, vocalista do Charlie Brown Jr. O filme foi exibido pela primeira vez em agosto, no Festival de Gramado, e tem previsão de chegar ao circuito comercial em 2027. José Loreto interpreta Chorão e contou que frequentou lugares ligados ao cantor em Santos para se aproximar do personagem.

Fidelidade sem simples cronologia

Sarah Oliveira, que conviveu com artistas durante o período em que foi VJ da MTV, acompanhou de perto a realização de Homem com H, dirigido por seu irmão, Esmir Filho. Para ela, uma cinebiografia precisa buscar a essência do personagem, e não apenas ordenar acontecimentos.

A apresentadora participa do filme como repórter e também fez a ponte entre Ney Matogrosso e Esmir. O lançamento provocou reflexos nas plataformas digitais: em fevereiro do ano passado, o trailer levou a faixa-título a um crescimento de 200% nas reproduções diárias no Spotify. Depois da chegada aos cinemas e à Netflix, o nome de Ney atingiu seu maior resultado histórico no Google, com alta de mais de 1 500% nas buscas.

As produções também afetam quem interpreta os músicos. Ravel Andrade viveu Raul Seixas na série disponibilizada pelo Globoplay e descreveu o papel como uma responsabilidade enorme. O retorno do público incluiu relatos de filhos que perderam pais fãs do cantor. As filhas de Raul escreveram uma carta sobre o impacto da série, especialmente para Simone, que perdeu o contato com o pai quando ainda era muito pequena.

Preservar uma herança musical

Flávia Moraes, diretora de Milton Bituca Nascimento, vê a expansão dessas obras como uma forma de preservar a memória. Para ela, a música brasileira não deve ser entendida apenas como entretenimento, mas também como documento histórico, pensamento político e identidade coletiva.

A cineasta associa o interesse atual à descoberta da herança musical brasileira por públicos mais jovens e à atenção internacional dedicada à música do país. Alessandra Dorgan, diretora do documentário sobre Luiz Melodia, também considera esse movimento uma forma de resistência cultural e destaca a procura por histórias contadas em português.

A variedade de formatos — ficção, documentário e série — permite que cada produção examine uma dimensão diferente dos artistas. Ao mesmo tempo, os lançamentos aproximam novas audiências de obras musicais já conhecidas e reativam lembranças de quem acompanhou essas carreiras. O cinema, nesse processo, funciona como espaço para reunir memória, identidade e escuta.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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