Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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OnilX é alvo da CVM após atuação de Paulo Guedes junto à empresa

Empresa que prometia rendimentos de até 2,8% ao mês enfrenta processos e reclamações de investidores que dizem não conseguir resgatar valores.

Paulo Guedes assessorou empresa de cripto alvo da CVM que agora dá calotes

A OnilX, empresa de criptomoedas que contou com a atuação do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, foi alvo de uma ordem de suspensão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e enfrenta mais de uma centena de processos judiciais. Investidores afirmam que não conseguem resgatar recursos aplicados diante da promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês.

A empresa oferecia investimentos em criptoativos e stablecoins com promessa de alta liquidez. Parte dos investidores suspeita de um esquema de pirâmide financeira e afirma ter confiado milhões de reais ao grupo. A OnilX nega irregularidades e diz que atua regularmente no mercado de ativos virtuais.

Paulo Guedes não fazia parte do quadro societário, mas dava palestras e consultorias, recebia investidores e aparecia em materiais publicitários da empresa. Também participava de reuniões estratégicas com parceiros comerciais e de eventos ligados à OnilX.

Em uma publicação da empresa, feita em dezembro passado, Guedes aparece ao lado do proprietário, Fábio Lino, e de executivos da Visa. A legenda descrevia uma reunião voltada a discutir formas de levar stablecoins ao cotidiano e afirmava que o ex-ministro oferecia “suporte e visão” à OnilX.

A presença de Guedes também é citada em ações judiciais. Um casal que cobra R$ 876.513,00 da empresa afirmou ter feito novos aportes depois de participar de uma reunião com o ex-ministro na sede da OnilX, em abril deste ano. O casal tentou sacar os valores em agosto, mas não conseguiu.

Em outro processo, uma empresa pede o resgate de R$ 632.183,33 investidos por meio da OnilX. Mensagens anexadas ao caso mostram uma assessora dizendo que Guedes “tá dentro da empresa” e que seria possível marcar reuniões com ele para tratar de estratégias de investimento.

O ex-ministro também elogiava a empresa em palestras. Em um vídeo, diante de uma plateia de quase 500 pessoas, afirmou: “O futuro é lindo”. Guedes não se manifestou quando procurado. Fábio Lino também não respondeu sobre a contratação do ex-ministro nem sobre os processos contra a companhia.

A CVM determinou a suspensão imediata da oferta pública de serviços de intermediação de valores mobiliários pela OnilX em 12 de janeiro de 2026, por meio do Ato Declaratório nº 24.680. A autarquia concluiu que o grupo não tinha autorização para intermediar valores mobiliários, atuar como assessor de investimentos ou captar recursos.

A decisão considerou contratos com promessa de rentabilidade fixa diária ou mensal e operações de arbitragem em moedas estrangeiras no mercado de balcão. Para a CVM, essas características configuravam Contratos de Investimento Coletivo sujeitos à regulação federal.

Anne Caroline Marciquevik, advogada que foi assessora especial de Guedes, passou a representar a OnilX em reuniões com a CVM na tentativa de revogar a ordem. Segundo dados da Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo, ela se reuniu seis vezes com autoridades da autarquia.

O Colegiado da CVM analisou o recurso da empresa em 1º de abril e, por maioria de votos, manteve a ordem cautelar. Na mesma decisão, autorizou a intermediação simples de criptoativos como Bitcoin, Ethereum e USDT quando não houver promessa de rendimento nem contrato de investimento.

Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações contra o grupo. A OnilX afirma ter CNPJ ativo, sede no Brasil e cerca de cinco anos de atuação. A empresa diz oferecer compra, venda, troca, intermediação e custódia de criptomoedas e sustenta que a decisão da CVM não proíbe todas as suas atividades.

A companhia também afirma que não atua como gestora de investimentos, não promete rentabilidade fixa e não oferece contratos de investimento coletivo.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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