MINLE — Uma película biodegradável produzida com esterco bovino manteve o rendimento do milho para silagem mesmo quando a adubação mineral caiu em 30%. O resultado foi observado em um experimento realizado durante 105 dias em 2024, na província chinesa de Gansu.
O estudo comparou o material de esterco com a cobertura convencional de polietileno. As duas soluções foram avaliadas com três níveis de fertilização mineral: 100%, 85% e 70% da dose normalmente usada. Na maior redução testada, não houve queda estatisticamente significativa na produção das plantas cobertas com a película de esterco em relação às que receberam a dose completa dentro do mesmo sistema.
O que muda no solo
Conhecido pela sigla MSF, o material é formado depois que o esterco passa por processamento. Aplicado sobre o terreno, ele protege a superfície e ajuda a controlar a perda de água, funções também associadas ao plástico agrícola.
A diferença aparece durante a degradação. Enquanto o polietileno atua principalmente como uma barreira física, a película de esterco libera matéria orgânica e nutrientes, além de interagir com os microrganismos do solo.
Os resultados indicaram mudanças na comunidade microbiana e em processos ligados à disponibilidade de nitrogênio, fósforo e potássio. No início do cultivo, o solo coberto com MSF tinha cerca de 15,5 mg/kg de fósforo disponível, contra aproximadamente 9,2 mg/kg nas áreas protegidas por polietileno. Também foram registradas diferenças na matéria orgânica e em outros nutrientes ao longo do experimento.
As raízes responderam em determinadas fases do cultivo, com maior quantidade de matéria seca no sistema que usou a película de esterco. Raízes maiores podem explorar uma porção mais ampla do solo em busca de água e nutrientes.
Comparação de rendimento
Quando o fertilizante foi reduzido em 30%, as plantas cultivadas com a película de esterco chegaram ao fim do teste com cerca de 230 gramas de matéria seca por planta. Sob o polietileno, o resultado foi de aproximadamente 195 gramas por planta na mesma condição de adubação.
O desempenho sugere que o material não funciona apenas como uma cobertura. Além de proteger o solo, ele pode fornecer matéria orgânica e favorecer condições que ajudam as plantas a aproveitar os nutrientes disponíveis.
Limites da alternativa
O uso do MSF também está relacionado ao destino das coberturas plásticas após a colheita. Filmes de polietileno podem deixar pequenos fragmentos no terreno quando não são completamente retirados. Uma película biodegradável feita de resíduo pecuário poderia aproveitar o esterco, substituir parte do plástico agrícola e diminuir a dependência de fertilizantes minerais.
Ainda assim, o estudo não indica uma substituição imediata para qualquer lavoura. Na análise de ciclo de vida, a fabricação do MSF teve impacto ambiental maior que o sistema convencional nas seis categorias avaliadas.
O experimento envolveu milho para silagem, uma região e uma temporada de 105 dias. A tecnologia ainda precisa ser examinada em outros climas, solos e cultivos, além de passar por melhorias que reduzam o consumo de recursos durante a fabricação.







