O psicólogo Altay de Souza, pesquisador de Psicologia Econômica e Estatística aplicada da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defende que as apostas online sejam proibidas no Brasil. A posição coincide com a decisão anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de banir esse tipo de jogo.
Souza afirma que as bets estão ligadas ao endividamento da população e ao agravamento de quadros depressivos, que podem ter como consequência o suicídio. Ele pesquisa o fenômeno desde 2021 e diz que os efeitos também alcançam escolhas financeiras e projetos pessoais.
Um dos dados citados pelo pesquisador é o de que 34% dos jovens que planejavam fazer uma faculdade privada adiaram esse objetivo por causa de problemas relacionados às apostas. Na avaliação dele, a atividade não traz benefício para a economia, o Estado ou a sociedade. “As bets precisam ser proibidas, não reguladas”, declarou.
Perdas e mecanismo psicológico
O pesquisador estima que quase R$ 140 bilhões foram evadidos do Brasil por causa das bets. Para ele, já havia evidências dos problemas provocados pelo fenômeno cinco anos atrás, embora o tema tenha ganhado destaque mais recentemente.
Souza explica que as apostas exploram a tendência de tentar recuperar valores perdidos. Ele cita a chamada aversão à perda: para cada R$ 1 perdido, a pessoa só sentiria que foi recompensada ao recuperar R$ 2,25. Esse mecanismo, segundo ele, pode levar o apostador a uma sequência de novas tentativas, como ocorre no “tigrinho”.
Na avaliação do psicólogo, todas as pessoas estão sujeitas às bets porque o jogo é estruturado para estimular a expectativa de que a próxima tentativa será diferente. Ele também afirma que os custos para o sistema de saúde podem levar de oito a dez anos para ser restabelecidos, mesmo com a proibição das apostas online.
Histórico e impacto no futebol
Souza lembra que a primeira regulação sobre jogos de aposta ocorreu na década de 1930. Nos anos 2000, bingos analógicos voltaram a funcionar em alguns locais do Brasil. Em São Paulo, a atividade foi liberada por dois anos, período em que, segundo ele, várias pessoas passaram a desenvolver dependência rapidamente. Durante o governo Michel Temer, as bets ganharam força.
O pesquisador contesta a ideia de que o fim das apostas levaria ao fim do futebol. Para ele, a continuidade das bets pode afastar torcedores que perderem dinheiro ao longo do tempo. “Você quer ter dinheiro agora ou quer ter torcedores no futuro?”, questionou aos dirigentes de clubes.







