Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Brasil

PF apreende dinheiro e documentos em endereços ligados a Ciro Nogueira

Relatórios tornados públicos após decisão de André Mendonça detalham buscas da quinta fase da Operação Compliance Zero.

PF apreendeu R$ 614 mil em espécie em endereços de Ciro Nogueira na Operação Compliance Zero

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 614 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e a familiares, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, realizada em maio deste ano. As diligências investigam relações de agentes políticos com o Banco Master.

Os documentos da investigação foram tornados públicos depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, derrubou o sigilo de peças do caso. As buscas haviam sido autorizadas pelo STF.

No imóvel de Ciro Nogueira em Teresina, foram encontrados R$ 31.760,00 e 14.070 euros em um cofre. Na residência do senador em Brasília, os agentes apreenderam US$ 27.735 e 1.555 euros, guardados no escritório que pertenceu ao ex-ministro do governo Jair Bolsonaro.

Valores encontrados com familiares

Na casa de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, a PF recolheu 10.155 euros e US$ 55.733, também mantidos em um cofre. Raimundo declarou aos policiais que o equipamento era um “cofre familiar” e que o dinheiro correspondia a economias destinadas a viagens internacionais. Veículos de luxo e aparelhos eletrônicos também foram apreendidos no endereço.

A investigação aponta Raimundo como intermediário na negociação de vantagens indevidas pagas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Em outro imóvel, pertencente à ex-senadora Eliane Nogueira, mãe de Ciro, foram localizados reais, dólares e euros. Esses valores não foram retidos porque, segundo a avaliação dos investigadores, eram compatíveis com a capacidade econômica da moradora e não apresentavam ligação direta com os crimes apurados no caso Master.

Considerando as conversões atuais, o total das apreensões chega a R$ 614 mil. Na época do cumprimento dos mandados, o cálculo com o câmbio médio indicava aproximadamente R$ 589 mil.

Documentos na churrasqueira

O relatório da PF também registra documentos encontrados na área da churrasqueira da casa de Ciro Nogueira, em Brasília. Uma funcionária doméstica disse aos agentes que o senador havia ordenado a queima do papelório, o que não aconteceu por falta de tempo antes da chegada dos policiais.

Entre os materiais havia um rascunho com o cabeçalho “Câmara”, acompanhado de nomes e anotações numéricas. O relatório menciona “Arthur”, “Hugo” e “Luizinho” como possíveis referências aos deputados federais Arthur Lira, Hugo Motta e Doutor Luizinho. A PF afirma que os valores anotados ainda precisam ser esclarecidos no inquérito.

Ciro Nogueira é investigado sob suspeita de receber vantagens indevidas de Daniel Vorcaro para atuar no Congresso em favor de empresas do grupo Master. A PF também aponta que o senador teve viagens internacionais custeadas pelo banqueiro.

Em 2024, Ciro apresentou uma proposta conhecida como “emenda Master”, que buscava elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia máxima do Fundo Garantidor de Crédito. As apurações também indicam que ele atuou no Senado para impedir a coleta de assinaturas e a instalação de uma CPI sobre a instituição financeira.

A divulgação dos documentos ocorreu em meio a divergências no STF sobre o sigilo da investigação. Após pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao presidente da Corte, Edson Fachin, o segredo de justiça foi retirado de todas as investigações. O episódio provocou críticas públicas do ministro Alexandre de Moraes à condução do sigilo.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Ciro Nogueira não respondeu aos contatos.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5