Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Brasil

PF investiga propostas a influenciadores para defender o Banco Master

Documentos e depoimentos apontam busca por perfis de direita e identificam 22 contas com publicações semelhantes sobre o caso.

Agência encontrou nas redes de Flávio influenciador para defender o Master
Foto: Daniel Ramalho/AFP;Divulgação

Documentos da investigação da Polícia Federal apontam que uma agência monitorou as redes sociais de Flávio Bolsonaro (PL) para localizar influenciadores de direita capazes de defender o Banco Master. A estratégia buscaria questionar a liquidação da instituição pelo Banco Central e defender uma intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU).

As informações aparecem em mensagens preservadas em ata notarial e no depoimento de Rony de Assis Gabriel, vereador de Erechim (RS), candidato a deputado federal pelo Podemos e influenciador de direita. A empresa citada em um acordo de confidencialidade enviado ao assessor dele é a UNLTD Network Brazil Ltda. O documento chama a iniciativa de Projeto DV, e o contato foi feito por André Silva Salvador.

Em 20 de dezembro de 2025, Salvador escreveu que monitorava as redes de Flávio Bolsonaro e havia encontrado o perfil de Rony em publicações. Depois, apresentou a proposta como um trabalho de gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo. Segundo a conversa registrada em cartório, a agência pretendia contratar perfis para atuar em uma disputa política contra o sistema.

Proposta recusada

Rony afirmou à PF que Salvador revelou, em uma reunião, que o cliente seria Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

O assessor do vereador assinou o acordo de confidencialidade, mas Rony disse ter recusado a proposta antes de negociar valores ou assinar um contrato de prestação de serviços. De acordo com o depoimento, Salvador mencionou uma verba que poderia levar a uma remuneração milionária, sem que o montante fosse discutido. O acordo previa multa de R$ 800 mil.

A agência apresentou como referência publicações de Paulo Cardoso, do Cardoso Mundo; Marcelo Rennó; André Janeiro Dias; Carol Dias; e das páginas Alfinetei. Rony afirmou que recebeu um roteiro, mas poderia adaptar a forma de apresentar o conteúdo. Ele procurou as autoridades depois de tomar conhecimento de movimentações no TCU relacionadas ao caso.

Rony tem mais de dois milhões de seguidores no Instagram e declarou alcançar aproximadamente 100 milhões de visualizações mensais com conteúdos políticos. Ele disse que costuma comentar nas redes de Flávio, o que poderia explicar como seu perfil foi encontrado.

Outra proposta e levantamento da PF

A jornalista e influenciadora Juliana Moreira Leite também relatou à PF ter recebido, pelo Instagram e pelo WhatsApp, uma proposta de contrato com duração de três meses. O contato foi feito por Júnior Favoreto, que afirmou que ela poderia definir o próprio preço, pediu a assinatura de um acordo de confidencialidade e enviou um conteúdo questionando a liquidação do Banco Master.

Juliana respondeu que não estava disponível para publicar sobre o banco. Favoreto encerrou a conversa sem confirmar quem seria o cliente. Por isso, ela disse à PF que não poderia afirmar de onde partiu a proposta. A jornalista também relatou ter percebido publicações semelhantes feitas por outros influenciadores de direita.

Em um relatório, a PF identificou 22 perfis no Instagram com publicações próximas no tempo e questionamentos sobre a atuação do Banco Central no caso. A lista reúne Alfinetei, Alfinetada, Alfinetada Online, André Janeiro Dias, Bomba dos Artistas, Carol Dias, Diferentona, Exclusivas da Fama, Focalizando Notícias, Fofocas, Fofoquei, Futrikei, Garoto do Blog, Luiz Bacci, Marcelo Rennó, Paulo Cardoso, Queirônica, Rainha Matos, Tricotei, Tuitteiros, Vem Me Buscar Hebe e Wes Gossip.

A PF associou oito perfis à Deubuzz: Exclusivas da Fama, Rainha Matos, Fofocas, Fofoquei, Wes Gossip, Vem Me Buscar Hebe, Tuitteiros e Diferentona. Outros quatro foram relacionados ao Grupo Farol: Futrikei, Tricotei, Alfinetada e Diferentona. O perfil Diferentona aparece vinculado aos dois grupos.

O levantamento indica proximidade entre as publicações, mas não comprova que todos os perfis tenham sido procurados, contratados ou pagos por uma agência.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5