A emissão de rádio associada diretamente ao exoplaneta Beta Pictoris b permitiu estimar a intensidade de seu campo magnético. O planeta está a cerca de 63,4 anos-luz da Terra e é um gigante gasoso com várias vezes a massa de Júpiter.
As observações foram feitas com radiotelescópios e identificaram rajadas rápidas, recorrentes e fortemente polarizadas. Também foi registrada uma emissão persistente em frequências entre aproximadamente 0,85 e 3,5 GHz.
O padrão observado foi relacionado ao maser ciclotrônico de elétrons, mecanismo associado a emissões aurorais em objetos magnetizados. Como a frequência máxima depende da intensidade do campo magnético na região emissora, os pesquisadores estimaram uma força de pelo menos cerca de 1,25 quilogauss em Beta Pictoris b.
O estudo apresenta essa estimativa como a primeira medição direta de um campo magnético em um exoplaneta. A localização da emissão no próprio planeta foi decisiva, porque sinais de rádio também podem ser produzidos pela atividade magnética da estrela ao redor da qual ele orbita.
Beta Pictoris b gira em torno da jovem estrela Beta Pictoris, que faz parte de um sistema com um grande disco de poeira e detritos. O planeta já havia sido observado por imagem direta, além de apresentar uma órbita relativamente distante de sua estrela.
A emissão não indica uma transmissão artificial. A interpretação dos pesquisadores é que as ondas resultam de um fenômeno natural ligado ao campo magnético do planeta, em princípio semelhante às emissões de rádio produzidas por auroras no Sistema Solar. Júpiter também é uma fonte natural de ondas de rádio: partículas carregadas interagem com seu campo magnético e podem gerar emissões detectáveis por radiotelescópios.
A radioastronomia pode ajudar a investigar a magnetosfera, a interação entre o planeta e o ambiente estelar, a estrutura interna de gigantes gasosos e a evolução de campos magnéticos em planetas jovens. Essas informações são difíceis de obter por outros métodos e também podem contribuir para o estudo da perda de atmosfera e da interação com o vento produzido pela estrela.
O trabalho foi divulgado inicialmente como preprint em setembro de 2026 e ainda precisa passar pela revisão formal de outros especialistas. Novas observações serão necessárias para confirmar o comportamento das rajadas, avaliar sua variabilidade e testar a interpretação magnética com mais dados.







