Uma despedida escrita no fim de um convite de aniversário pode estar entre os exemplos mais antigos de escrita feminina em latim preservados. O trecho é atribuído geralmente à própria Cláudia Severa, que chamou Sulpícia Lepidina para sua celebração em 11 de setembro.
O documento foi registrado com tinta em uma fina lâmina de madeira, encontrada entre as tábuas de Vindolanda. O solo úmido e pobre em oxigênio retardou a decomposição do material e ajudou a conservar centenas de cartas, listas e relatórios. Técnicas de conservação e fotografia especializada permitiram tornar a tinta quase apagada novamente legível.
Severa pede que Lepidina compareça para deixar o dia mais agradável com sua presença. Ao final, manda saudações ao marido e ao filho da amiga e encerra a mensagem com afeto. O texto principal provavelmente foi produzido por um escriba. A despedida, porém, apresenta outra caligrafia, geralmente associada à remetente.
Mulheres na fronteira romana
As duas estavam ligadas a famílias militares. Cláudia Severa era casada com Élio Broco, comandante de um forte. Sulpícia Lepidina era esposa de Flávio Cerial, prefeito da unidade estacionada em Vindolanda, perto da Muralha de Adriano.
Embora não fossem soldados, elas participavam da vida social que sustentava os postos de fronteira. A correspondência indica uma rede de visitas, favores e afetos entre mulheres associadas a essas famílias.
O convite também mostra como poucos centímetros de madeira podem registrar aspectos que não aparecem em monumentos. A mensagem reúne data, expectativa de visita, relações familiares e uma demonstração de intimidade em um lugar distante de Roma.
O registro, no entanto, não representa todas as mulheres daquele período. A voz preservada pertence a pessoas de posição privilegiada; muitas outras experiências não foram escritas ou não sobreviveram. Ainda assim, a fórmula do convite permanece reconhecível: uma celebração parece melhor quando alguém querido está presente.







