A Usina Nuclear Trojan, no Oregon, conseguiu retirar do local um vaso de reator com aproximadamente 462 toneladas, mas o descomissionamento não eliminou todos os materiais nucleares da instalação. Ao todo, 791 conjuntos de combustível usado permaneceram armazenados na área da antiga central.
A remoção do vaso ocorreu em 1999, depois que equipes acrescentaram cerca de 200 toneladas de concreto à estrutura. Com 12,8 metros, o componente foi preparado para ganhar estabilidade e ser transportado dentro de limites radiológicos e mecânicos.
Uma rota com diferentes meios de transporte
A proximidade da usina com o rio Columbia permitiu que parte do deslocamento fosse feita em uma barcaça. Depois, a carga seguiu por rodovias com apoio de um reboque equipado com cerca de 320 rodas, usado para distribuir o peso sobre o pavimento.
O percurso total informado foi de cerca de 480 quilômetros. A operação exigiu planejamento de engenharia, controle da movimentação e coordenação entre equipes, já que o vaso reunia materiais irradiados durante os anos de funcionamento da central.
A retirada do equipamento representou uma etapa do descomissionamento, processo que também envolve descontaminação, desmontagem, caracterização de materiais, acondicionamento de resíduos e demolição controlada. Estruturas de grande porte podem ser removidas, mas o combustível nuclear usado segue exigências diferentes.
O combustível permanece sob controle
Os 791 conjuntos não são tratados como sucata convencional. Depois de um período inicial em piscina, o combustível pode ser transferido para sistemas secos com recipientes metálicos, blindagem e estruturas de concreto. Esses sistemas são projetados para isolamento físico e remoção passiva do calor.
A permanência do material no Oregon está relacionada à falta de uma solução definitiva disponível para receber todo o inventário. Por isso, mesmo após o encerramento da geração de eletricidade e a retirada de estruturas importantes, o antigo sítio continua exigindo armazenamento e controle.
Entre os pontos acompanhados estão a integridade dos recipientes e das soldas, as condições do revestimento das varetas de combustível, a corrosão de componentes, a manutenção da blindagem contra radiação e a capacidade de remover passivamente o calor residual.
O contraste entre as duas etapas mostra que tamanho e peso não definem sozinhos a complexidade do descomissionamento. O vaso pôde ser levado a um destino definido por meio de uma operação logística específica. Já o combustível usado depende de instalações receptoras autorizadas, embalagens certificadas, licenciamento e uma cadeia preparada para materiais radioativos.
Enquanto os conjuntos permanecerem no local, continuam necessárias inspeções, controle radiológico, segurança física e manutenção dos sistemas passivos. O encerramento da usina, portanto, não corresponde simplesmente à desmontagem dos equipamentos: parte das responsabilidades técnicas permanece ligada ao armazenamento do combustível irradiado.







