A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) entregou diplomas póstumos a 23 estudantes e dois professores e pesquisadores que tiveram suas trajetórias interrompidas pela violência de Estado durante a ditadura militar brasileira. A cerimônia ocorreu na última quinta-feira (9), no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura (FCC/UFRJ), no bairro Flamengo, com a presença de familiares, integrantes da comunidade acadêmica e do movimento estudantil.
O reitor Roberto de Andrade Medronho afirmou que a iniciativa representa o compromisso da universidade com memória, verdade e justiça. Para ele, a violência pode interromper uma vida, mas não deve apagar uma história. Medronho também pediu desculpas aos familiares pela demora no reconhecimento acadêmico.
O evento integrou as celebrações pelos 106 anos da UFRJ. Na avaliação do reitor, a diplomação póstuma esteve entre os atos mais significativos da história da instituição e reafirmou o compromisso com a democracia.
A diretora da Universidade da Cidadania (UC/UFRJ), Eleonora Ziller, destacou a importância do local escolhido. Segundo ela, o prédio foi a Casa do Estudante Universitário no final dos anos 1970 e abrigou movimentos ligados à redemocratização.
Homenageados
Receberam os diplomas Adriano Fonseca Filho, Ana Maria Nacinovic Correa, Antônio Pádua Costa, Antônio Sérgio de Matos, Antônio Teodoro de Castro, Arildo Airton Valadão, Áurea Eliza Pereira Valadão, Ciro Flávio Salazar Oliveira, Fernando Augusto da Fonseca, Flávio Carvalho Molina, Frederico Eduardo Mayr, Guilherme Gomes Lund, Hélio Luiz Navarro de Magalhães, Jane Moroni Barroso, José Roberto Spiegner, Kleber Lemos da Silva, Lincon Bicalho Roque, Luiz Alberto A. de Sá Benevides, Maria Célia Correa, Maria Regina Lobo L. Figueiredo, Mário de Souza Prata, Paulo Costa Ribeiro Bastos, Raul Amaro Nin Ferreira, Sonia Maria de Moraes Angel Jones e Stuart Edgar Angel Jones.
Stuart Angel Jones já havia recebido, em julho, o diploma de bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Ele foi sequestrado e morto pela ditadura em 1971, aos 25 anos. Seu corpo nunca foi encontrado, e o desaparecimento foi denunciado por sua mãe, Zuzu Angel.








