Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Brasil

Voto feminino exige atenção a direitos e propostas, não apenas à presença

A presença de mulheres na política amplia a representação, mas não garante, sozinha, avanços nos direitos das mulheres.

Voto feminino exige atenção a direitos e propostas, não apenas à presença

O voto deve ser guiado pelos direitos concretos que afetam a vida cotidiana, como acesso à educação e à saúde, vagas em creches e políticas públicas para a população. A escolha de uma candidatura, portanto, envolve avaliar se ela está comprometida com essas pautas e com a democracia.

Para quem depende do salário, organiza as contas e enfrenta emergências, o voto tem peso. A participação cidadã também inclui cobrar representantes e defender espaços que permitam a presença da população nas decisões políticas. A democracia é especialmente importante para quem não tem acesso direto aos círculos de poder.

Presença não é sinônimo de compromisso

A ocupação de espaços políticos por mulheres, por si só, não significa que as representantes vão lutar por mais direitos. A cientista política estadunidense Anne Phillips discutiu essa questão no texto “De uma política de ideias a uma política de presença?”, no qual defende que um sistema político mais justo depende tanto da incorporação de ideias quanto da presença de diferentes grupos.

No Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP) aparece à frente das pesquisas, enquanto Leila do Vôlei (PDT), Erika Kokay (PT), Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) disputam as duas vagas do Senado Federal. A presença de mulheres em posições de destaque indica que as barreiras de acesso começam a ruir, mas não mostra, sozinha, quais direitos serão defendidos.

As candidatas ocupam espectros ideológicos diferentes e apresentam visões distintas de Estado e sociedade. Por isso, votar em uma mulher não resolve automaticamente a questão da representação. Cotas e mecanismos de paridade ajudam a abrir espaços de poder antes restritos aos homens, mas a análise das propostas continua necessária.

O ponto central é identificar a quem cada candidatura serve, quais políticas pretende apoiar, como pretende ampliar o acesso à saúde pública e qual é seu compromisso com as pessoas que dependem desses serviços. A presença importa, mas o compromisso com a vida concreta é o que define se os direitos vão avançar.

Priscilla Brito é cientista política, feminista e escritora.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5