Para enfrentar ondas de calor, moradores de alto poder aquisitivo estão investindo em casas que mudam de configuração, salas de neve, áreas subterrâneas e imóveis em destinos mais frios. A proposta é adaptar os ambientes às variações de temperatura ou mudar de lugar conforme as estações.
Ambientes que mudam com o clima
Em Las Vegas, o escritório KAA Design projeta uma propriedade com piscina e pavilhão de entretenimento. O espaço terá teto e paredes retráteis de vidro: fechado, poderá permanecer climatizado; aberto, permitirá aproveitar as noites mais amenas do deserto. Durante uma visita recente à obra, o termômetro externo marcou 42 graus Celsius.
Grant Kirkpatrick, sócio-fundador e diretor de design do escritório, afirma que o luxo passou a estar ligado à adaptabilidade. Entre os recursos citados por ele estão coberturas que se abrem, paredes de vidro que desaparecem e brises-soleil que acompanham o movimento do sol.
A ideia, explica Kirkpatrick, não é apenas criar uma barreira contra o calor, mas ambientes capazes de responder às mudanças das condições ao longo do dia e das estações.
Neve, gelo e subsolo
Salas de neve também entraram nos projetos residenciais de luxo. Esses espaços fechados de gelo e neve podem incluir até flocos caindo. Tyler Slater, diretor de operações e coproprietário da The Spa Butler, empresa de Plano, no Texas, relata aumento significativo nas consultas e vendas para casas particulares neste ano.
Um modelo padrão de 2 por 3 metros custa a partir de US$ 128 mil (cerca de R$ 653 mil). De acordo com Slater, essas salas normalmente integram uma área de bem-estar maior, que pode incluir banhos de gelo. O designer Chad Dorsey combina esse tipo de estrutura com chuveiros externos sombreados.
Outra alternativa é aproveitar a estabilidade térmica do subsolo. Em Princeton, Nova Jersey, o estúdio JZA+D transformou o porão de uma residência em um espaço de 185 m² com cinema em casa, academia, lounge e sala de degustação de vinhos mantida a 10 graus Celsius. O local também tem casacos de inverno para os convidados.
Joshua Zinder, sócio-diretor e arquiteto principal do estúdio, afirma que, a partir de cerca de 1 metro abaixo do nível do solo, a temperatura da terra é extremamente constante e geralmente não ultrapassa 10 graus Celsius. O contato da terra com as paredes do porão ajuda a retirar o calor do ambiente.
Armazenamento e mudança de destino
A estratégia subterrânea também é usada para conservar alimentos. Joseph Carline, sócio da Kligerman Architecture & Design, observa maior presença de adegas subterrâneas destinadas ao armazenamento de raízes, produtos hortifrutigranjeiros, embutidos e vinhos finos. O interesse acompanha a procura por grandes hortas comestíveis em residências.
Há ainda quem prefira escapar completamente das altas temperaturas. Philip White, presidente e CEO da Sotheby’s International Realty, diz que compradores de alto poder aquisitivo estão formando portfólios de imóveis para se deslocar entre diferentes regiões ao longo do ano.
Neste ano, o interesse inclui Verbier e St. Moritz, na Suíça; Whistler, no Canadá; e Queenstown, na Nova Zelândia. Nesses destinos, a altitude ajuda a moderar as temperaturas do verão, mantendo as comodidades esperadas por esses compradores.







