Multiplicar orquídeas em casa pode aumentar a coleção a partir de uma planta adulta, mas a técnica precisa acompanhar o tipo de crescimento da espécie. Algumas orquídeas podem ser separadas em partes; outras formam brotos, chamados keikis. Em todos os casos, ferramentas limpas e atenção à saúde das raízes ajudam a reduzir danos à planta-mãe e às novas mudas.
Divisão de touceira
A divisão de touceira é indicada para orquídeas de crescimento simpodial, que avançam lateralmente por meio de rizomas e pseudobulbos. Cattleya, Laelia, Oncidium, Cymbidium e algumas Dendrobium podem aceitar o procedimento quando são adultas, vigorosas e têm várias estruturas desenvolvidas.
Para fazer a divisão, retire a planta do vaso e remova parte do substrato antigo. Localize o rizoma que liga os pseudobulbos e use uma tesoura ou lâmina esterilizada para separar a touceira. Cada muda deve ficar com raízes saudáveis, brotos e, em geral, pelo menos três pseudobulbos. Depois, plante as partes em vasos compatíveis, com substrato próprio para orquídeas, deixando cada muda firme.
Keikis e pseudobulbos antigos
Keiki é o broto que surge naturalmente em algumas orquídeas e se transforma em uma pequena cópia da planta-mãe. Ele aparece com frequência em Phalaenopsis, mas também pode surgir em Dendrobium e Epidendrum. A separação deve esperar até que o broto tenha folhas firmes e raízes bem desenvolvidas, geralmente com cerca de 5 centímetros ou mais. Com uma ferramenta esterilizada, destaque-o com cuidado e plante-o em um recipiente pequeno, usando substrato leve e boa ventilação. Se ainda estiver saudável e ligado à planta-mãe, deixá-lo crescer mais pode favorecer a adaptação.
Outra possibilidade é aproveitar pseudobulbos antigos, conhecidos como back-bulbos. Mesmo sem folhas, eles podem manter reservas e gemas capazes de formar brotos, desde que estejam firmes, saudáveis e sem apodrecimento. Separe o pseudobulbo com uma ferramenta limpa e acomode-o em substrato bem arejado, com umidade moderada e luz indireta. O broto pode levar meses para aparecer, por isso o método exige paciência. A técnica é mais indicada para Cattleya, Oncidium e alguns tipos de Dendrobium.
Cuidados depois do plantio
Mantenha as mudas protegidas do sol forte, do vento intenso e de mudanças bruscas de temperatura. O substrato precisa permitir a circulação de ar e a drenagem da água, porque o excesso de umidade pode favorecer o apodrecimento das raízes. A rega deve ser feita somente quando houver necessidade, considerando a espécie e as condições do ambiente.
Evite adubação intensa logo após o corte ou o transplante. Primeiro, a muda precisa se adaptar e começar a emitir novas raízes ou brotos. O guia técnico do Sistema FAEP recomenda que cada divisão tenha pelo menos três pseudobulbos e permaneça protegida durante a recuperação. A publicação da ESALQ/USP orienta que a multiplicação seja feita sem arrancar partes da planta à força, reduzindo o risco de ferimentos e doenças.







