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Calor extremo associado ao El Niño pode ampliar mortes no Brasil até fevereiro

Projeção estima 13,3 mil mortes adicionais no país e até 451 mil no mundo entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Calor extremo associado ao El Niño pode ampliar mortes no Brasil até fevereiro
Foto: Divulgação/NASA

A maior parte das mortes adicionais projetadas para o Brasil durante o atual El Niño deve ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Nesse intervalo, cerca de oito mil óbitos relacionados ao calor podem ser registrados acima do esperado, segundo estimativa do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago (EUA).

Para todo o período analisado, de setembro de 2026 a fevereiro de 2027, a projeção brasileira chega a 13,3 mil mortes adicionais. O país aparece na quinta posição entre os que teriam os maiores números, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia.

Estimativa considera um ano normal

A projeção global aponta até 451 mil mortes adicionais associadas ao calor extremo nos próximos meses. Esse total não corresponde a todas as mortes ocorridas no período: representa a diferença em relação ao número esperado em um ano considerado normal, tomando como referência os anos de 1996 a 2025.

O estudo calcula que a temperatura média sobre áreas terrestres fique cerca de 1,2 °C acima do normal. Também prevê aumento de 44% nos dias de calor extremo em relação ao que seria esperado em um ano normal.

Os pesquisadores chegaram aos resultados a partir de estudos que relacionam temperatura e mortalidade em diferentes regiões. A análise foi aplicada a 24.378 regiões e levou em conta condições climáticas e sociais locais, além da vulnerabilidade das populações e da capacidade de adaptação.

As previsões de temperatura vieram do sistema europeu ECMWF SEAS5. Depois, foram comparadas com a média de mortes relacionadas à temperatura observada entre 1996 e 2025. O estudo também considera incertezas das previsões meteorológicas e da relação entre calor e mortalidade. Os detalhes completos da metodologia ainda serão publicados em uma revista científica com revisão por pares.

Impactos em diferentes regiões

Na Nigéria, a estimativa é de 31,4 mil mortes adicionais. A Indonésia aparece com 19,3 mil, o Sudão com 17,5 mil e a Índia com 15,8 mil.

O Sahel, na África, concentra 66,8 mil mortes adicionais projetadas, quase metade delas na Nigéria. No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem somar cerca de 19,4 mil mortes.

O período de maior impacto não é igual em todos os países. No Brasil e na Índia, uma parcela significativa das mortes estimadas se concentra entre dezembro e fevereiro.

Fenômeno pode durar até 2027

O El Niño começou em junho de 2026 e deve continuar pelo menos até o início de 2027. Em boletim publicado em setembro, o INPE e outros órgãos federais apontaram probabilidade superior a 90% de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. O documento também indicou que a permanência do fenômeno até, no mínimo, o começo de 2027 tinha probabilidade de 100%.

Para esse período, o boletim prevê chuvas acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média no centro-norte do Brasil.

Os pesquisadores chamam o episódio de uma espécie de “cartão-postal do futuro”, porque as temperaturas observadas podem ser semelhantes às projetadas por modelos climáticos para cerca de 20 anos à frente. A Universidade de Chicago ressalta que a conta inclui apenas os impactos relacionados ao calor. Possíveis secas, incêndios florestais e inundações não entram na estimativa de 451 mil mortes.

Entre as medidas sugeridas estão alertas para ondas de calor, identificação de populações vulneráveis, visitas domiciliares, centros de resfriamento e proteção para trabalhadores expostos a temperaturas elevadas. Michael Greenstone, economista da Universidade de Chicago e cofundador do Climate Impact Lab, afirmou que a projeção pode mostrar onde ações emergenciais podem ser adotadas para reduzir mortes nos próximos meses.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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