SOUTH BRISBANE — O Upper House, edifício residencial de 33 andares na Austrália, foi concebido para lembrar uma Moreton Bay Fig (Ficus macrophylla), árvore nativa conhecida pelo sistema de raízes. O projeto do Koichi Takada Architects combina fachada de formas curvas, pérgola de madeira e áreas compartilhadas para aproximar arquitetura, natureza e vida em comunidade.
Concluído em outubro de 2023, o prédio reúne 188 apartamentos. Na base, linhas sinuosas remetem às raízes de sustentação da figueira e se relacionam com a obra Bloodlines Weaving String and Water, da artista Waanyi Judy Watson. Com cinco pavimentos de altura, o trabalho aparece em painéis metálicos perfurados, dobrados e retroiluminados.
A obra traz referências às rotas, memórias e práticas culturais dos povos originários australianos. À noite, a iluminação destaca os desenhos e cria uma ligação entre a construção contemporânea e a história do território onde ela foi erguida.
No topo, dois pavimentos abrigam o Upper Club, conjunto de espaços de convivência e bem-estar cercado por vegetação tropical. O local inclui piscina de borda infinita, spa, saunas, academia, estúdio de yoga, áreas de trabalho, lounge bar, cinema, sala de jantar privativa e adega coletiva.
Ao todo, são 1.000 m² de amenidades voltadas também ao encontro entre moradores. A proposta do escritório e da incorporadora Aria Property Group é oferecer uma alternativa à experiência mais isolada associada à vida em grandes torres residenciais.
O paisagismo reúne 3.544 plantas nativas e tropicais escolhidas para o clima subtropical de Brisbane. A vegetação contribui para o isolamento térmico do edifício. Um reservatório de 40 mil litros capta água da chuva para irrigar todas as plantas, enquanto um sistema solar de 30 kW e medidas para reduzir o consumo de água integram as soluções ambientais.
Todos os apartamentos têm varandas. A orientação do edifício e o desenho escalonado das sacadas ajudam a equilibrar a entrada de luz e o sombreamento conforme as condições climáticas locais.
O Upper House recebeu diferentes premiações em 2024. Entre elas estão o CTBUH Award of Excellence, destinado a edifícios entre 100 e 199 metros, e o prêmio de Arquitetura Sustentável do Australian Institute of Architects em Queensland.
Para Koichi Takada, o projeto procura mudar a relação entre moradores, natureza e comunidade. “Buscamos desafiar essa realidade e estabelecer um novo modelo de vida vertical, pautado pela conexão”, afirma.








