Uma mordida na nadadeira dorsal de uma toninha apresentou características compatíveis com a ação de um tubarão-branco. A análise das marcas indicou que o predador tinha entre 3,6 e 3,8 metros e pesava de 400 a 490 quilos.
O caso foi identificado a partir do corpo de uma toninha adulta encontrada encalhada em uma praia brasileira. O animal apresentava três marcas de mordida, e uma lesão com hemorragia mostrou que o ataque ocorreu enquanto o golfinho ainda estava vivo.
Para chegar à identificação, os pesquisadores compararam as dimensões das marcas, a morfologia da mordida, o tamanho e o formato dos dentes e a orientação das cicatrizes. Os dados foram analisados com o software TPSdig, usado para estimar as dimensões do possível predador.
O registro documenta pela primeira vez uma caça entre tubarão-branco e toninha no litoral do Brasil. A ocorrência também traz informações sobre a presença do tubarão-branco nas águas brasileiras e sobre a interação entre as duas espécies.
O golfinho-fantasma
A toninha, de nome científico Pontoporia blainvillei, ocorre no litoral sul do Brasil, no Uruguai e na Argentina. É considerada a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul Ocidental e também é conhecida como golfinho-fantasma por sua raridade.
Embora viva no mar, a toninha é tecnicamente um golfinho de rio. Ela é a única espécie desse grupo que habita o ambiente marinho. Seu parente mais próximo é o boto-cor-de-rosa, encontrado na Amazônia.
Outra característica da espécie é o bico, que corresponde a cerca de 15% do comprimento total do corpo — a maior proporção desse tipo entre os golfinhos.
O estudo que descreve o ataque foi publicado na revista Wildlife Research. Para os pesquisadores, a análise de uma única carcaça amplia o conhecimento sobre o papel da toninha e do tubarão-branco no ecossistema. A toninha está entre os golfinhos mais ameaçados do Atlântico Sul Ocidental, enquanto os tubarões-brancos também estão em declínio.







