O Sol atingiu 337 manchas solares em 8 de agosto de 2024, maior marca diária observada desde março de 2001. Agora, a estrela passou dois dias sem pontos escuros visíveis na face voltada para a Terra, mas regiões ativas continuam no lado oculto e devem surgir novamente conforme ocorre a rotação solar.
A primeira ausência foi registrada na sexta-feira (18), algo que não acontecia desde fevereiro. No sábado (19), o disco solar permaneceu sem manchas visíveis pelo segundo dia consecutivo.
O que produz as manchas
As manchas aparecem escuras porque têm temperatura menor que a superfície ao redor. O disco solar chega a cerca de 5.500°C, enquanto essas áreas variam entre 3.500°C e 4.500°C. A diferença cria o contraste que pode ser observado da Terra com telescópios específicos.
O fenômeno está ligado ao campo magnético gerado pelo plasma, um gás quente formado por partículas eletricamente carregadas em movimento contínuo. Quando o magnetismo se concentra em uma região, o fluxo de calor vindo do interior da estrela é bloqueado. Com menos energia na superfície, o local esfria e assume aparência escura.
O acúmulo de energia nessas áreas pode provocar erupções solares, que lançam nuvens de partículas pelo espaço. Ao chegar à Terra, esse material pode afetar satélites, sistemas de navegação por GPS e redes elétricas. O processo também produz auroras boreais e austrais nas regiões polares.
O que a pausa sugere
A quantidade de manchas é usada como indicador da atividade solar. O ciclo natural do Sol tem duração média de 11 anos e alterna fases de Máximo Solar, associadas a mais tempestades e instabilidades, e de Mínimo Solar, quando a estrela fica menos ativa.
No último mínimo, entre 2018 e 2020, o Sol acumulou mais de 700 dias totalmente limpos. A Spaceweather.com avalia que a ausência temporária de manchas reforça a possibilidade de o Ciclo Solar 25 estar caminhando para o encerramento. Novos pontos escuros ainda devem aparecer em breve, mas períodos sem manchas tendem a se tornar mais frequentes nos próximos anos.







