SÃO PAULO — Um livro de Mirella Ricciardi teve papel decisivo na mudança de carreira de Sebastião Salgado, que deixou a economia para se dedicar à fotografia. A obra é Vanishing Africa, publicada em 1971, e agora integra uma exposição que aproxima o trabalho dos dois fotógrafos.
Nascido em Minas Gerais, Salgado se formou em economia entre 1964 e 1967, na Universidade Federal do Espírito Santo. Ele também concluiu mestrado e doutorado na área, pela Universidade de São Paulo e pela Universidade de Paris, respectivamente.
Durante uma viagem à África, em 1971, começou a fotografar como hobby. Em 1973, com quase trinta anos, abandonou a carreira de economista e passou a atuar profissionalmente como fotógrafo. Cerca de dois anos depois do lançamento de Vanishing Africa, recebeu o livro de presente da esposa, Lélia Wanick Salgado.
As imagens de Vanishing Africa
Mirella Ricciardi, fotógrafa queniana-italiana hoje com 95 anos, registrou entre 1967 e 1968 paisagens, animais, hábitos, costumes, trajes e cerimônias de comunidades isoladas do Quênia. O conjunto compõe um livro considerado fundamental para a fotografia mundial e apresenta imagens do leste africano.
Ricciardi e Salgado se encontraram pela última vez em 2023. Na ocasião, ela afirmou ser admiradora das imagens do brasileiro e disse que se sentia honrada por ter influenciado, de alguma forma, a trajetória dele. Também contou que Salgado identificava um toque feminino em suas fotos, em contraste com o toque masculino das imagens dele.
Exposição em São Paulo
Um ano e meio após a morte de Salgado, a mostra A Elegância do Olhar reúne fotografias de Ricciardi feitas para Vanishing Africa, algumas inéditas no Brasil, e imagens de Salgado publicadas em Amazônia (2021), seu último livro lançado em vida. A obra retrata a floresta e seus povos nativos.
Com curadoria de Lilian Pacce, a exposição está na Galeria Mario Cohen e propõe um diálogo entre as identidades autorais dos dois fotógrafos. A mostra fica em cartaz até 11 de novembro, na Rua Capitão Francisco Padilha, 69, Jardim Europa, em São Paulo.
A visitação ocorre de terça a quinta, das 14h às 18h; sexta, das 11h às 18h; e sábado, das 11h às 16h.







