Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Cultura

Livro reconstitui a trajetória do Vivencial, grupo teatral LGBTI+ de Pernambuco

Obra de Márcio Bastos narra como o grupo atuou entre 1974 e 1983 e marcou a cena artística durante a ditadura militar.

Livro reconstitui a trajetória do Vivencial, grupo teatral LGBTI+ de Pernambuco

A trajetória do Teatro Vivencial, grupo pernambucano que ampliou os espaços para dissidências sexuais e de gênero no Brasil, é recontada por Márcio Bastos no livro Lantejoulas no mangue. A obra acompanha a atuação do coletivo entre 1974 e 1983, em Olinda e Recife, durante a ditadura militar.

Formado por integrantes que se chamavam de vivecas, o grupo criava a partir das próprias experiências. Os espetáculos reuniam questões de sexualidade, gênero, raça e classe social, geralmente atravessadas por festa, humor e provocação. O Vivencial atraiu pessoas de diferentes origens, entre elas artistas, estudantes, trabalhadores, intelectuais, pessoas trans, negros, heterossexuais e bissexuais.

Teatro, política e experimentação

Em menos de uma década, as vivecas montaram cerca de trinta espetáculos, além de happenings e performances. Também enfrentaram a censura e levaram para a cena debates morais e estéticos em um período de transformação política e de articulação aberta do então chamado movimento gay.

A sede do grupo, o Vivencial Diversiones, foi construída pelos próprios integrantes. O espaço tinha um palco aberto para diferentes formas de criação e usava, entre outros elementos, holofotes feitos com latas encontradas no lixo. A experiência se desenvolveu no ambiente descrito pelo escritor Jomard Muniz de Britto como Recifernália, marcado pelo atrito entre tradição e vanguarda.

Apesar da radicalidade estética, das criações coletivas e do teor político, o Vivencial ainda é pouco conhecido na história do teatro brasileiro. O grupo, porém, inspirou Tatuagem, filme de Hilton Lacerda lançado em 2013. A produção foi premiada, alcançou milhares de pessoas e também foi adaptada para o teatro.

Memória e continuidade

O livro recupera relatos de integrantes do grupo, contemporâneos, artistas e frequentadores do Diversiones. As entrevistas foram combinadas com documentos, arquivos pessoais e pesquisas realizadas ao longo das últimas quatro décadas. Entre as fontes documentais estão a Hemeroteca Digital Brasileira, da Fundação Biblioteca Nacional, e o Arquivo Público de Pernambuco.

A pesquisa também reúne trabalhos de estudiosos como Antonio Cadengue, Rodrigo Dourado, Alexandre Figueirôa, Lúcia Machado, Milton Baccarelli, Stella Maris Saldanha, Cláudio Bezerra, Leidson Ferraz, Claudio Lira, Mateus Melo e Dayanna Louise. Jomard Muniz de Britto aparece entre os pesquisadores e também é citado por sua contribuição para a definição do contexto cultural do grupo.

Após a dissolução do Vivencial, integrantes levaram suas práticas para teatros, boates e saunas de Pernambuco, do Rio Grande do Norte, do Ceará e do Pará. A obra também retoma existências registradas em fontes oficiais, como a da travesti Lolita, e memórias coletivas preservadas por pessoas LGBTI+.

Lantejoulas no mangue, de Márcio Bastos, é publicado pela Autêntica e tem 192 páginas.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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