SÃO PAULO — O Museu de Arte de São Paulo (Masp) inaugura nesta sexta-feira (11) uma passagem subterrânea que liga seus dois edifícios. O espaço abriga Pietrolina, obra permanente criada por Beatriz Milhazes especialmente para o museu.
A conexão permite que o público percorra a programação sem interromper o trajeto entre o edifício Lina, projetado por Lina Bo Bardi, e o Pietro, segundo espaço do Masp, inaugurado em 2025. O projeto arquitetônico é liderado pelo METRO Arquitetos Associados, responsável também pelo anexo.
Com 50 metros de extensão, 5 metros de largura e 2,5 metros de altura, a passagem também será usada para o deslocamento de obras de arte, equipamentos e equipes técnicas. O Masp afirma que a estrutura foi planejada para garantir esse transporte de maneira segura e eficiente, seguindo padrões internacionais.
As obras começaram em 2023, após um processo de desenvolvimento iniciado em 2019. A construção foi organizada em seis etapas e exigiu estudos técnicos e aprovações do Iphan, do Metrô de São Paulo, da CET e da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras. O trabalho incluiu mudanças nas redes de água e esgoto, energia e telefonia, além de escavações e reconstrução da calçada.
A pintura no túnel
Pietrolina tem 98 metros no total. A obra reúne uma pintura de 60 metros lineares e elementos reflexivos distribuídos ao longo de uma parede de 38 metros, acompanhando o caminho dos visitantes. O nome faz referência a Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, casal fundador do museu.
O projeto partiu de um desenho e passou por um estudo cromático. Para chegar às cores previstas na concepção original, Beatriz Milhazes selecionou 33 tintas acrílicas. A composição combina cores, formas geométricas, arabescos, flores e motivos ornamentais, além de fazer referência ao ritmo dos desfiles de carnaval.
Foram dois anos de elaboração e três meses de execução dentro da passagem. O mural também dialoga com Avenida Paulista (2020), obra doada ao acervo do Masp após a retrospectiva dedicada à artista. A exposição reuniu mais de 170 obras. Parte do túnel recebeu o tom Azul Beatriz, nome usado pela equipe do museu.
Pietrolina tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, e Amanda Carneiro. Milhazes também realizou intervenções na Ópera de Viena, na Áustria, no restaurante da Tate Modern e na estação de metrô Gloucester Road, em Londres.







