RIO DE JANEIRO — O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em casa, no Rio de Janeiro. A morte foi causada por uma pneumonia, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual ele era membro desde 2015.
O velório será realizado nesta quarta-feira (23), na sede da ABL. Zuenir será enterrado no mausoléu dos imortais. Ele ocupava a cadeira 32, anteriormente pertencente a Ariano Suassuna (1927-2014).
Carreira no jornalismo
Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir estudou em um colégio religioso com a intenção de se tornar padre. Depois, descobriu a vocação para o ensino. Mudou-se para o Rio de Janeiro e se formou em Letras Neolatinas pela UFRJ.
Ao longo da carreira, trabalhou nas revistas O Cruzeiro, Visão, Veja e IstoÉ e nos jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil. Também atuou na defesa dos direitos humanos e na ampliação da consciência sobre a exploração da Amazônia.
Seu livro mais conhecido é 1968: O Ano que Não Terminou, que já vendeu mais de 300 mil exemplares. A obra aborda as manifestações estudantis contra o sistema ocorridas no Brasil naquele ano.
No começo de 1989, Zuenir foi enviado ao Acre para produzir uma série de reportagens sobre o assassinato do seringueiro Chico Mendes, ocorrido em dezembro de 1988. O trabalho recebeu o prêmio Esso de Jornalismo. Em 2003, ele voltou à região e concluiu a reportagem que deu origem ao livro Chico Mendes – Crime e Castigo.
Em 2008, recebeu da ONU um troféu especial por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos. Em 2012, estreou na ficção com Sagrada Família, romance baseado em memórias de infância e adolescência.
Zuenir deixa a esposa, a jornalista Mary Ventura, os filhos Elisa e Mauro e os netos Alice e Eric.







