CAÇAPAVA DO SUL — Rochas, serras e geossítios conectam ciência, turismo e cultura em Caçapava do Sul, cidade do centro-sul do Rio Grande do Sul que abriga o Geoparque Mundial Caçapava, reconhecido pela UNESCO em 2023. O território tem aproximadamente 3.047 km² e está inteiramente dentro dos limites do município.
Com 33.501 habitantes estimados em 2025, a cidade reúne registros geológicos de um período entre cerca de 600 e 500 milhões de anos. As formações estão relacionadas aos depósitos vulcano-sedimentares da Bacia do Camaquã e preservam uma sequência exposta da transição entre os períodos Ediacarano e Cambriano.
Paisagens e geossítios
Entre os locais destacados pela UNESCO estão Guaritas, Serra do Segredo e Minas do Camaquã. Nas Guaritas, arenitos, conglomerados e siltitos formam cerros íngremes que lembram muralhas e ruínas naturais.
O geossítio ocupa cerca de 30 km² e fica aproximadamente 50 km da zona urbana. A área também reúne pecuária familiar, campos nativos e espécies adaptadas ao Pampa. A paisagem, portanto, combina formações rochosas, biodiversidade e modos de vida presentes no território.
A exposição das rochas faz de Caçapava do Sul uma área usada por universidades para ensino e investigação. Os geossítios também aparecem em estudos de geomorfologia e intemperismo cavernoso. A relevância científica envolve ainda a relação entre depósitos, formas de relevo, mineração histórica e ecossistemas associados.
Mais que uma atração turística
O conceito de geoparque inclui educação, conservação, pesquisa e desenvolvimento local. Pecuaristas familiares, comunidades quilombolas e indígenas, produtores rurais, empreendimentos turísticos e instituições de ensino participam do território e de iniciativas ligadas à valorização do patrimônio.
Trilhas, escalada, observação da paisagem, geoturismo e produtos inspirados na identidade local estão entre as atividades associadas ao geoparque. A história do município também envolve mineração e importância militar.
O reconhecimento internacional amplia a visibilidade de Caçapava do Sul e cria oportunidades para integrar ciência, educação, turismo e pequenos negócios. A chancela, porém, depende de gestão contínua, conservação e participação local para contribuir com a valorização do território.




