MARANHÃO — O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses reúne o maior campo de dunas da América do Sul e uma paisagem que muda conforme o ciclo das chuvas. Entre as dunas móveis, podem surgir mais de 36 mil lagoas temporárias, alimentadas exclusivamente pela água da chuva.
O parque entrou na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2024. A área reconhecida tem 156.562 hectares e fica em uma zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia. Mais da metade do território é formada por dunas costeiras brancas, com lagoas temporárias e permanentes.
Como as lagoas se formam
Durante a estação chuvosa, o nível do lençol freático sobe e preenche as depressões entre as dunas. O resultado são lagos de diferentes tamanhos, cores e profundidades. Quando a estação seca avança, muitas lagoas diminuem ou desaparecem.
O vento também desloca as dunas. Por isso, o desenho da paisagem pode ser diferente no ano seguinte. O ICMBio classifica a área como o maior deserto úmido do país e informa que o parque permanece aberto à visitação durante o ano inteiro.
Acessos e circulação
Barreirinhas e Santo Amaro do Maranhão são as principais portas de entrada. Também há acessos por Humberto de Campos e Primeira Cruz. Para quem chega por São Luís, os trajetos seguem por estrada até Barreirinhas ou Santo Amaro. O aeroporto de Parnaíba, no Piauí, está entre os acessos aéreos mais próximos, especialmente para quem percorre a Rota das Emoções.
Veículos particulares não podem circular nos roteiros turísticos dentro da unidade de conservação. O transporte terrestre e a condução de visitantes devem seguir o sistema de credenciamento do ICMBio.
Travessia entre dunas e oásis
A Travessia dos Lençóis liga Atins a Santo Amaro por uma área de acesso restrito a caminhantes. O percurso inclui pontos como Baixa Grande, usada como apoio e pernoite, Queimada dos Britos, um oásis habitado, e Betânia, na região de Santo Amaro.
Há também circuitos de lagoas para banhos e caminhadas mais curtas. Em 2026, grupos de trekking precisam respeitar o limite de dez pessoas por condutor, registrar a entrada e a saída e reservar previamente os pontos de apoio quando houver pernoite.
As médias de 30 anos de Barreirinhas indicam maior volume de chuva entre fevereiro e maio e os menores volumes entre agosto e novembro. O parque tem mais de 90 mil hectares de campo de dunas, e a combinação entre vento, chuva e estiagem redesenha o cenário ao longo do ano.







