MARANHÃO — Os Lençóis Maranhenses estão entre os três destinos que os brasileiros mais desejam conhecer. Uma pesquisa da Nexus, encomendada pelo Ministério do Turismo, em agosto de 2025, colocou o parque ao lado de Fernando de Noronha e Porto de Galinhas na lista dos lugares que mais despertam interesse no país.
A procura também apareceu nos registros de visitação. Dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) indicam que o parque passou de cerca de 151 mil visitantes em 2019 para aproximadamente 650 mil em 2025. O crescimento foi de cerca de 400% em seis anos.
Como as lagoas se formam
Apesar da aparência de deserto, a região recebe chuva que fica acumulada nos espaços mais baixos entre as dunas. O vento transporta areia da praia para o interior e cria longas fileiras de dunas. Durante a estação chuvosa, a água preenche as áreas entre elas e dá origem a lagoas de diferentes cores, formatos e profundidades.
Algumas lagoas secam no período sem chuva, enquanto outras permanecem cheias durante todo o ano. As dunas chegam a 30 metros de altura, formam cordões de até 75 km e avançam mais de 20 km em direção ao interior, segundo a UNESCO. O parque foi reconhecido pela organização como Patrimônio Natural da Humanidade em 2024.
Acesso e passeios
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ocupa 156.608 hectares, cerca de 1.566 km². Barreirinhas é a principal porta de entrada e concentra hotéis, agências e saídas de passeios. Santo Amaro do Maranhão dá acesso ao lado oeste, enquanto Atins fica perto da foz do Rio Preguiças.
Os roteiros costumam combinar veículos 4×4, caminhada na areia e banho de lagoa. Entre as opções estão os circuitos Lagoa Azul e Lagoa Bonita, o passeio de barco pelo Rio Preguiças e visitas a Vassouras, Mandacaru e Caburé.
Atins reúne lagoas próximas e praia no encontro do rio com o oceano. Santo Amaro do Maranhão serve de base para lagoas como a Lagoa da Betânia. Também há a Travessia dos Lençóis, caminhada de vários dias pelas dunas, com regras próprias do ICMBio.
Chuva define o cenário
As máximas ficam entre 29 °C e 32 °C ao longo do ano. A principal mudança ocorre no volume de chuva: as médias de 30 anos do Climatempo para Barreirinhas registram 306 mm em abril e 6 mm em setembro.
A quantidade de chuva pode alterar o tamanho das lagoas de um ano para outro. Fenômenos como El Niño e La Niña também podem modificar esse volume. Por isso, a paisagem dos Lençóis Maranhenses muda conforme o vento move a areia e a água ocupa as áreas baixas do parque.







