VITÓRIA — No bairro de Goiabeiras, em Vitória, o galpão das paneleiras preserva a produção artesanal da panela de barro, uma tradição passada por gerações no Espírito Santo. O espaço reúne boxes onde é possível acompanhar o trabalho das artesãs e comprar os utensílios diretamente no local.
A fabricação começa com a argila retirada do manguezal, misturada à areia para alcançar a liga adequada. Cada peça é moldada inteiramente à mão, sem torno mecânico, e depois passa pela queima em praça pública.
Um dos momentos mais característicos é a aplicação da tintura feita com a casca do mangue-vermelho, rica em tanino. O material é usado quando a peça ainda está ardendo no fogo aberto. O procedimento dá à panela a coloração preta típica e ajuda a selar os poros do recipiente.
Utensílios para cozinhar e servir
Entre os itens produzidos estão a panela moquequeira, com bordas baixas para o cozimento do peixe; o caldeirão fundo, usado em ensopados e feijoadas; a assadeira rasa, procurada para o preparo da torta capixaba na Páscoa; e a travessa de servir, feita para manter a comida aquecida por mais tempo.
O barro retém o calor e distribui a temperatura de maneira uniforme no fundo do recipiente. Essa característica ajuda a preservar o suco dos alimentos e a intensificar o tempero durante o cozimento.
A visitação ocorre de segunda a sábado, em horário comercial, com acesso gratuito. Além de observar a produção, visitantes e moradores podem conversar com as paneleiras e receber orientações para preparar a peça antes do primeiro uso.
Como fazer a cura da panela
Para curar o utensílio, é preciso espalhar óleo de cozinha ou azeite nas superfícies interna e externa. Em seguida, a peça deve ser levada ao fogo baixo por cerca de 15 minutos, até que o óleo queime levemente e seja absorvido pelo barro. O processo forma uma película protetora e aumenta a resistência do utensílio no uso diário.







