Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Grito dos Excluídos leva moradia e combate à violência às ruas de Porto Alegre

Mobilização reuniu movimentos sociais em defesa da terra, da paz, da moradia e dos direitos das mulheres.

Grito dos Excluídos leva moradia e combate à violência às ruas de Porto Alegre

A 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas reuniu manifestantes em Porto Alegre nesta segunda-feira (7), com uma caminhada dedicada à defesa da terra, da paz, da moradia e da soberania. O combate à violência contra as mulheres também esteve entre os principais temas do ato, realizado como contraponto popular aos desfiles cívico-militares do Dia da Independência.

A concentração ocorreu em frente ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), na rua Coronel Vicente, no Centro Histórico. O grupo percorreu o trajeto até a rua Barros Cassal, no bairro Floresta, onde ficam o Cibai Migrações e o Assentamento 20 de Novembro. O local recebeu as atividades políticas e culturais de encerramento.

Moradia e famílias atingidas

A escolha do assentamento esteve ligada à trajetória de organização de famílias sem-teto. De acordo com Ceniriani Vargas da Silva, conhecida como Ni, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), a obra está em fase final e a inauguração foi marcada para 22 de novembro. A programação deve ter atrações musicais e interdição da rua.

A pauta também foi relacionada às famílias afetadas por desastres climáticos no Rio Grande do Sul. Leonardo Maggi, da direção estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), afirmou que o governo trabalha com a necessidade de 22 mil casas, enquanto o movimento calcula que pelo menos 50 mil unidades sejam necessárias.

Maggi citou Lajeado, no Vale do Taquari, onde, segundo ele, mais de 600 famílias estão em abrigo mantido pela prefeitura. O município reconhece oficialmente 176 famílias na lista de habitação, de acordo com a declaração apresentada no ato. A estimativa do movimento foi associada a levantamentos próprios, da Confederação Nacional dos Municípios e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Jacira Teresinha Dias Ruiz, secretária executiva da Cáritas do Rio Grande do Sul, relacionou a mobilização à Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é o direito à moradia digna. Ela afirmou que a organização popular foi decisiva para a conquista do assentamento.

Violência contra mulheres e soberania

Durante a concentração, houve uma homenagem às mulheres mortas por feminicídio, com a canção “Maria” e um minuto de silêncio. Chirlei Fischer, da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD), informou que 52 mulheres foram mortas no Rio Grande do Sul e 834 no Brasil neste ano.

Fischer associou a violência de gênero à falta de moradia, escola e trabalho remunerado digno. Juliana Bergmann, da coordenação do Levante Popular da Juventude, defendeu que o tema seja levado para as ruas, para as casas e para a internet. Maggi também mencionou o assassinato, quatro anos atrás, de uma coordenadora do MAB em Porto Alegre pelo marido.

Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS) relacionaram o ato à defesa da soberania e à disputa por projetos de país em ano de eleições gerais. Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS, disse: “A gente continua na luta por direitos, por moradia, por paz”.

Laércio Guarani, professor de história na retomada Nhe’engatu, em Viamão, falou sobre território e direitos indígenas. Ele afirmou que Porto Alegre foi construída sobre uma área de ocupação indígena histórica.

A programação terminou com uma apresentação teatral do grupo Panapana e almoço preparado pelas cozinhas solidárias. A mobilização nacional teve atividades em 18 estados e no Distrito Federal. O Grito surgiu de debates da Semana Social Brasileira, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 1993 e 1994, e realizou sua primeira edição nacional em 7 de setembro de 1995.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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