A passiflora, gênero de plantas que inclui espécies conhecidas como maracujás, é tradicionalmente usada em infusões e produtos fitoterápicos. Seus compostos bioativos, como flavonoides e polifenóis, são estudados por possíveis ações antioxidantes e anti-inflamatórias, além de efeitos relacionados ao sistema nervoso central.
De acordo com Gyzelle Nacimento, professora de Farmácia da Faculdade Anhanguera, os efeitos podem variar conforme a espécie utilizada, a parte da planta e o modo de consumo. Por isso, o chá pode integrar uma rotina de bem-estar, mas não substitui a avaliação ou o tratamento de ansiedade, insônia e outros transtornos.
Possíveis benefícios
A bebida é tradicionalmente associada ao relaxamento e pode contribuir para momentos de pausa e desaceleração. Por não conter cafeína, também pode ser incluída na rotina noturna, ajudando a criar um ritual de preparação para o descanso.
A passiflora ainda é estudada por sua possível relação com mecanismos envolvidos na resposta do organismo ao estresse. No entanto, são necessários mais estudos para confirmar esses efeitos. Dificuldades frequentes para dormir e episódios persistentes de insônia devem ser avaliados por um profissional de saúde.
As espécies do gênero apresentam compostos fenólicos e flavonoides com atividade antioxidante. Essas substâncias ajudam a proteger as células contra danos associados ao excesso de radicais livres.
A infusão também pode substituir café, chá-preto e outras bebidas cafeinadas no fim do dia, especialmente para pessoas sensíveis aos efeitos estimulantes da cafeína. A ausência desse estímulo pode favorecer a redução da agitação antes de dormir.
Chá não é igual a fitoterápico
O chá medicinal costuma ser preparado por infusão ou decocção de partes da planta, como folhas e flores. A quantidade de substâncias extraídas depende da espécie, da parte usada, da quantidade empregada, da temperatura da água e do tempo de preparo.
Já os medicamentos fitoterápicos passam por fabricação controlada e critérios de qualidade, que incluem a identificação da espécie vegetal, a pureza, a segurança e a padronização da preparação. Assim, uma xícara de chá não deve ser comparada diretamente a extratos, cápsulas, tinturas ou outros medicamentos à base de passiflora, pois concentração, composição e dose podem ser diferentes.
O consumo regular exige atenção, principalmente quando a pessoa usa medicamentos que atuam no sistema nervoso central, anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários. Nesses casos, é necessário conversar com um médico ou farmacêutico antes de incluir a bebida na rotina. Gestantes, lactantes e pessoas em tratamento de saúde também devem buscar orientação profissional.







