Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Bem-estar

Cafeína: o que ajuda no foco, nos treinos e pode atrapalhar o sono

Especialistas explicam os efeitos da cafeína, os cuidados com medicamentos e como o consumo pode influenciar refluxo, desempenho e descanso.

Cafeína: o que ajuda no foco, nos treinos e pode atrapalhar o sono

A cafeína pode aumentar o estado de alerta, melhorar o foco e contribuir para o desempenho físico, mas não substitui energia nem descanso. O efeito é temporário, varia entre as pessoas e pode causar problemas quando o consumo é excessivo ou combinado com medicamentos e outras fontes concentradas da substância.

Especialistas da Rede Américas explicam os principais pontos sobre café, energéticos, chás, pré-treinos e produtos que também contêm cafeína.

Disposição e concentração

Tomar café pela manhã não garante disposição durante todo o dia. A cafeína retarda a percepção de cansaço ao ocupar os receptores que normalmente recebem a adenosina, substância associada à sensação de fadiga. Assim, a pessoa pode se sentir menos cansada sem que a necessidade de descanso tenha desaparecido.

Segundo Lívia Almeida, nutricionista do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, o efeito não aumenta indefinidamente com o consumo. “Só que esses receptores também têm um limite, e não necessariamente quanto mais café, mais disposta a pessoa vai estar”, explica.

Ainda assim, o café pode auxiliar o foco e a concentração. A bebida também tem compostos bioativos que podem contribuir para a diminuição do risco de algumas doenças quando o consumo diário é moderado. A quantidade adequada varia de uma pessoa para outra.

Trocar o café por outra bebida também não significa, necessariamente, consumir menos cafeína. Chá preto, chá verde, mate, refrigerantes à base de cola e energéticos estão entre as opções que contêm a substância. Ela também pode aparecer em alguns medicamentos.

A substituição pode ainda aumentar o consumo de açúcar, especialmente no caso de bebidas industrializadas. Lívia Almeida recomenda observar o rótulo. A Organização Mundial da Saúde recomenda que os açúcares livres correspondam a menos de 10% das calorias consumidas diariamente, com benefícios adicionais quando o percentual fica em 5%.

Medicamentos e atividade física

A combinação de medicamentos controlados com doses elevadas de cafeína exige atenção. Um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre o “Café dos Campeões” destacou que a mistura de medicamentos controlados com energéticos pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de levar a complicações cardiovasculares.

Roberta Frota, endocrinologista do Hospital Nove de Julho, orienta que pessoas em tratamento contínuo consultem o médico antes de usar energéticos, pré-treinos ou outras fontes concentradas de cafeína. Esses produtos não devem ser considerados opções inofensivas para aumentar a disposição.

No exercício, a cafeína pode melhorar o desempenho. O Position Stand da International Society of Sports Nutrition, publicado em 2020, aponta benefícios com doses de 3 a 6 mg por quilo de peso corporal, consumidas cerca de uma hora antes da atividade. Os efeitos são mais observados em exercícios de resistência aeróbica, mas também podem ocorrer, em menor intensidade, na força, na velocidade, nos saltos e nos arremessos.

A resposta depende da capacidade de cada organismo de metabolizar a substância. Usar café, pré-treino e energético ao mesmo tempo não garante um resultado melhor. O excesso pode provocar palpitação, tremores, ansiedade, desconforto gastrointestinal e dificuldade para dormir, além de prejudicar a recuperação depois do exercício.

Refluxo e sono

Pessoas com azia ou refluxo não precisam eliminar o café automaticamente. A diretriz do American College of Gastroenterology não recomenda a retirada generalizada da bebida ou da cafeína. Como as evidências disponíveis são de baixa qualidade, a orientação é considerar a resposta individual.

Se o café piora os sintomas, reduzir ou retirar a bebida pode ajudar. Quando não existe uma relação consistente entre o consumo e a azia, abandonar o café apenas por causa do diagnóstico de refluxo pode representar uma restrição desnecessária, explica Lívia Almeida.

O horário do consumo também pode influenciar o descanso. A meia-vida da cafeína costuma ficar entre cinco e sete horas, período necessário para que a quantidade da substância no organismo seja reduzida pela metade. Por isso, um café tomado às 14h ainda pode deixar uma quantidade significativa de cafeína circulando no começo da noite.

Adriana Bertolami, cardiologista e médica do sono do Hospital Alvorada Moema, em São Paulo, lembra que a cafeína não recupera uma noite mal dormida. O impacto sobre o sono varia entre as pessoas e também está relacionado ao gene CYP1A2, associado à velocidade de metabolização da substância.

Quem tem dificuldade para dormir pode testar a redução ou a retirada da cafeína a partir do início da tarde e observar se há melhora. Não existe um horário universal que funcione para todos: algumas pessoas tomam café no meio da tarde sem alterações, enquanto outras percebem prejuízo no sono mesmo após várias horas do consumo.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5