A primavera pode aumentar a exposição de cães e gatos a agentes associados a alergias e outros problemas de pele. As mudanças de temperatura, umidade e vegetação favorecem a presença de pólens, ácaros, fungos ambientais e pulgas, especialmente entre animais que já têm sensibilidade a esses fatores.
A médica-veterinária Flávia Jávare, do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), afirma que a polinização e a umidade podem elevar a presença de alérgenos no ambiente. “Na primavera, pode haver uma maior exposição aos alérgenos ambientais, como os pólens pela polinização das plantas”, explica.
Problemas que podem aparecer ou piorar
A dermatite atópica, também chamada de atopia, é uma doença crônica e inflamatória que causa coceira e pode sofrer influência das condições ambientais e sazonais. Outro quadro associado à estação é a dermatite alérgica à saliva da pulga (DASP), que pode ser desencadeada ou agravada pelo aumento das picadas.
Entre os agentes relacionados às alergias estão os ácaros da poeira doméstica dermatophagoides farinae e blomia tropicalis, pólens de gramíneas como paspalum notatum e cynodon dactylon, além de fungos ambientais como aspergillus fumigatus e alternaria alternata.
O período também pode favorecer piodermites secundárias, picadas de pulgas e carrapatos, dermatites de dobras — sobretudo em cães braquicefálicos — e dermatofitoses, doenças causadas por fungos geofílicos.
Coceira não confirma alergia
Coçar-se, morder ou lamber repetidamente uma região são sinais possíveis de crise alérgica, mas não bastam para confirmar o diagnóstico. A escabiose, por exemplo, também pode provocar coceira intensa.
Os tutores devem observar vermelhidão, lesões, queda de pelos, descamação, mau odor e infecções de ouvido ou otites. A recorrência, a duração e a evolução dos sintomas ajudam na investigação. “A coceira excessiva não significa necessariamente que o animal tenha uma alergia”, destaca Flávia Jávare.
A avaliação pode incluir raspados cutâneos, citologias, culturas, triagens alérgicas e testes cutâneos. Quando existe suspeita de alergia alimentar, o veterinário pode indicar uma dieta de eliminação. Testes alérgicos também podem ajudar a identificar os agentes envolvidos e orientar a imunoterapia.
Raças predispostas e prevenção
Entre os cães com maior predisposição estão shih tzu, buldogue francês, yorkshire terrier e golden retriever. Em gatos, a predisposição racial é menos estabelecida, mas já foi observada em siamês, persa e sem raça definida (SRD).
Para reduzir a exposição, é recomendado manter a casa limpa e ventilada, aspirar os locais frequentados pelos animais, higienizar camas, mantas e estofados e controlar ectoparasitas.
Quando o animal já apresenta alergia, essas medidas precisam ser combinadas ao tratamento definido pelo veterinário. A abordagem pode envolver controle de alérgenos e ectoparasitas, banhos terapêuticos e medicamentos imunomoduladores, anti-inflamatórios, antibacterianos ou antifúngicos quando houver infecções associadas. Em alguns casos, também pode ser indicada imunoterapia imuno-específica.







