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China apresenta modernização socialista como alternativa à dependência externa

Análise do Instituto Tricontinental relaciona soberania, planejamento e transformação social ao desenvolvimento dos países do Sul Global.

China apresenta modernização socialista como alternativa à dependência externa

A modernização, para os países do Sul Global, não precisa repetir o modelo capitalista ocidental. Essa é a tese central de uma análise do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, que relaciona desenvolvimento à soberania nacional, ao planejamento socialista e à transformação das relações sociais.

O texto contesta a ideia de que todas as sociedades avançam por uma mesma sequência até alcançar os padrões de consumo e as instituições dos Estados Unidos. Essa visão foi sistematizada pelo economista estadunidense Walt Whitman Rostow em 1960, no livro “As etapas do crescimento econômico: um manifesto não comunista”. Na interpretação apresentada, a teoria transformava a modernização em sinônimo de adesão ao capitalismo e deixava em segundo plano o colonialismo, a escravidão, a pilhagem e a transferência de riquezas da Ásia, da África e da América Latina para a Europa e a América do Norte.

A experiência chinesa

A análise usa a história da China para defender que modernização e ocidentalização não são conceitos equivalentes. Entre a Primeira Guerra do Ópio, de 1839-1842, e a vitória da Revolução Chinesa, em 1949, o país passou por perda de soberania, tratados desiguais, tomada de territórios, monopólios estrangeiros, ocupação, guerra civil e domínio de senhores da guerra.

Nesse período, o capitalismo teria entrado no país por meio de canhoneiras e narcóticos, sem unificar a China ou ampliar sua capacidade produtiva. A modernização chinesa, segundo o texto, começou com a libertação nacional e avançou por meio do socialismo. Seus objetivos incluíam recuperar a soberania, unificar o país, combater a fome e o analfabetismo e criar capacidade material para impedir novas intervenções estrangeiras.

O Instituto divide a história moderna chinesa em três fases: 1949 a 1978, 1978 a 2013 e 2013 até o presente. Em 1949, a expectativa de vida era de cerca de 35 anos, a alfabetização estava abaixo de 20%, a indústria era limitada e o campo permanecia marcado por relações feudais.

A reforma agrária havia redistribuído, em 1953, quase 47 milhões de hectares para aproximadamente 300 milhões de camponeses sem-terra ou com pouca terra. O processo também é associado ao conceito de fanshen, apresentado como a libertação da servidão e a participação ativa dos camponeses no desenvolvimento nacional.

Campanhas de alfabetização, sistemas de saúde pública, salas de leitura rurais e o programa de médicos descalços acompanharam a transformação econômica. Em 1959, a alfabetização havia chegado a 57%. Em 1978, a expectativa de vida superava 63 anos. Ao mesmo tempo, o planejamento socialista estruturou setores como siderurgia, energia, fabricação de automóveis e tratores, ferrovias e pontes.

Reformas, contradições e planejamento

Depois de 1978, a China adotou a política de reforma e abertura. A análise afirma que o país passou a usar mercados e capital estrangeiro sob orientação estatal, sem abrir mão do controle público de áreas consideradas estratégicas, como bancos, energia, telecomunicações e transportes.

A frase de Deng Xiaoping de que “pobreza não é socialismo” é apresentada como síntese desse período. O mercado teria sido tratado como instrumento para ampliar as forças produtivas, e não como objetivo final da organização econômica.

Entre 1978 e 2019, esse processo tirou mais de 765 milhões de pessoas da pobreza, mas também produziu desigualdade, corrupção, desequilíbrios regionais, pressão sobre trabalhadores e danos ecológicos. O texto sustenta que reconhecer essas contradições não elimina as conquistas das reformas. A construção do socialismo é descrita como um processo sujeito a conflitos e mudanças de direção.

Desde 2013, a terceira fase da trajetória chinesa estaria organizada em torno da prosperidade comum, da civilização ecológica e do desenvolvimento de alta qualidade. A campanha de Auxílio Direcionado à Pobreza mobilizou mais de três milhões de quadros do Partido Comunista Chinês para localizar os últimos focos de extrema pobreza e garantir renda mínima, alimentação, vestuário, educação, saúde, moradia segura, água potável, eletricidade e transporte.

O partido também intensificou a regulamentação das empresas de tecnologia, restringiu o setor de aulas particulares e combateu a especulação imobiliária. A orientação, expressa no princípio de que “casas são para morar, não para especular”, direcionou crédito para a indústria estratégica, a infraestrutura pública e o desenvolvimento tecnológico.

Soberania como medida do desenvolvimento

O presidente chinês Xi Jinping definiu a modernização chinesa como “modernização socialista conduzida sob a liderança do Partido Comunista da China”. Na análise, essa proposta não rejeita a tradição chinesa, mas procura incorporá-la de forma crítica, em diálogo com a ciência e a ética socialista.

A memória do chamado século da humilhação é tratada como uma condição material, ligada à perda de soberania, à apropriação de recursos, à limitação do desenvolvimento tecnológico e à subordinação do futuro nacional a poderes estrangeiros. Nesse enquadramento, as restrições aos semicondutores, as sanções, as barreiras comerciais e o cerco militar reforçam a busca por autossuficiência tecnológica.

O texto ressalta que a experiência chinesa não pode ser simplesmente copiada. Ela nasceu de uma revolução baseada na aliança entre operários e camponeses e na atuação de um partido capaz de planejar para além das gerações. Ainda assim, sua trajetória levanta uma questão para outros países: é possível modernizar-se sem soberania?

A resposta defendida é que países dependentes de dívidas externas, exportações de matérias-primas e estruturas estrangeiras de dados, finanças, tecnologia, energia e transportes podem ser formalmente independentes sem controlar seus próprios futuros. Por isso, o desenvolvimento deveria ser medido não apenas pelo volume de mercadorias ou pela quantidade de bilionários, mas também pela alfabetização, pela saúde, pela longevidade, pela proteção da natureza e pela capacidade tecnológica de atender às necessidades sociais.

A análise conclui que a principal lição da China não é oferecer um modelo pronto, mas mostrar que a modernização pode ser organizada em torno da soberania, do planejamento, do bem-estar social e do poder coletivo. O Instituto também informa que a edição de 2026 da conferência do Global South Academic Forum será realizada em Pudong, Xangai, de 17 a 18 de outubro, com o tema “Partidos Políticos do Sul Global: Governança e Modernização”.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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