GALÁPAGOS — Cabras esterilizadas foram usadas como rastreadoras para localizar animais invasores em áreas de difícil acesso do arquipélago. A estratégia integrou o Projeto Isabela, que combinou ações em terra e sobrevoos para eliminar mais de cento e quarenta mil animais em regiões prioritárias.
Como a operação funcionou
As chamadas cabras de Judas eram soltas na natureza para encontrar outros integrantes da mesma espécie. Como têm comportamento social gregário, elas se aproximavam de grupos que ainda permaneciam escondidos. Colares transmissores permitiam acompanhar seus deslocamentos por radiotelemetria e indicar a localização dos animais remanescentes.
A técnica foi aplicada depois que os rebanhos introduzidos passaram décadas consumindo plantas nativas em diferentes áreas. Sem predadores ou competidores naturais, esses animais se espalharam por grandes extensões de Santiago e Pinta. O pastejo reduziu a disponibilidade de alimento para a fauna nativa e contribuiu para a erosão do solo.
A degradação colocou répteis endêmicos e aves raras em risco. Com a retirada dos herbívoros invasores, sementes que permaneciam sob o solo voltaram a brotar em encostas antes sem vegetação. Arbustos endêmicos e árvores essenciais também se restabeleceram, favorecendo a retenção de umidade e a recuperação dos ciclos hídricos locais.
Retorno da fauna nativa
A regeneração das florestas e dos arbustos criou abrigo e oferta de alimento para espécies ameaçadas. A saracura-das-Galápagos voltou a expandir seus ninhos no habitat restaurado.
Nas ilhas Santiago, Pinta e Isabela, a recuperação da vegetação também reduziu a erosão causada pelo pisoteio constante. A experiência mostrou que a localização dos últimos invasores, com apoio de animais rastreadores, permitiu concluir o manejo populacional em setores de relevo vulcânico acidentado.







