Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Vendedor de café deixa a calçada para começar curso técnico

Após quase seis anos de estudos noturnos, Sebastião deixou o carrinho e entrou como aluno no prédio onde trabalhou por três décadas.

Vendedor de café deixa a calçada para começar curso técnico

Durante três décadas, Sebastião vendeu café na calçada diante de uma faculdade. No local, acompanhou a rotina de alunos, professores e porteiros, mas nunca havia entrado em uma sala de aula. A despedida, anunciada como uma possível aposentadoria, revelou outro plano: ele havia sido aprovado em um curso técnico oferecido no mesmo prédio onde trabalhava.

Do café às aulas noturnas

Sebastião chegou à esquina aos trinta e poucos anos, depois de perder o emprego em uma oficina. Começou com uma garrafa térmica emprestada e, aos poucos, montou uma estrutura com mesa dobrável, toldo e um caderno para anotar os pedidos de quem estava sem dinheiro naquele momento.

Com o tempo, passou a reconhecer os períodos de prova pelo silêncio da fila, lembrava como cada cliente preferia o café e acompanhava a trajetória de antigos estudantes. Guardava bilhetes de agradecimento em uma lata sob o balcão e comparecia a formaturas quando era convidado. Também comemorava aprovações como se fossem conquistas da própria família.

Na adolescência, Sebastião havia deixado a escola para ajudar em casa. Lia frases simples e fazia contas de troco, mas tinha dificuldade com textos longos. A vergonha fez com que evitasse voltar aos estudos. Uma estudante percebeu que ele precisava de ajuda para compreender alguns avisos e indicou aulas noturnas. Ele guardou o endereço, mas não apareceu de imediato.

Meses depois, ao assistir à formatura da jovem, decidiu tentar. Sem contar aos clientes, matriculou-se em uma turma de educação básica para adultos e passou a frequentar as aulas três noites por semana.

Depois de fechar o carrinho, lavava os copos, levava o equipamento a um depósito, trocava de roupa e pegava dois ônibus até a escola. No começo, lia devagar e evitava falar. Com o passar do tempo, começou a fazer perguntas, escrever mensagens sem pedir revisão, compreender melhor as notícias e controlar o estoque em uma planilha simples.

A despedida e a matrícula

Em uma segunda-feira, Sebastião avisou que aquela seria sua última semana na calçada. Clientes perguntaram se ele estava doente ou se o aluguel do depósito havia aumentado, mas ele prometeu explicar tudo na sexta-feira. Antigos alunos voltaram para se despedir, e dezenas de pessoas se reuniram perto do toldo no último dia.

Um professor entregou a ele um álbum com fotografias de diferentes gerações. Em seguida, Sebastião mostrou um envelope com a confirmação de matrícula em um curso técnico no período da manhã. Ele havia concluído a escolarização básica e passado por um processo seletivo, mas precisaria deixar o carrinho porque os horários coincidiam.

A intenção era aprender mais sobre administração e, talvez, abrir uma pequena cozinha. A despedida virou uma recepção de calouro. Os estudantes organizaram uma mochila com cadernos, canetas e uma garrafa térmica, além de indicarem informações sobre cursos gratuitos e preparação acadêmica.

Sebastião recusou qualquer coleta em dinheiro. Disse que começaria o curso com a reserva construída ao longo do trabalho e que pediria ajuda apenas se alguma matéria parecesse difícil.

Na primeira manhã sem o carrinho, chegou cedo por hábito, parou diante da calçada vazia e entrou. O porteiro o cumprimentou e pediu sua carteirinha de aluno. O gesto marcou a primeira vez em que Sebastião atravessou aquele portão não como vendedor, mas como estudante.

O antigo ponto passou a ser ocupado por outro vendedor, treinado por Sebastião nas receitas e apresentado aos clientes. Nos intervalos, ele ainda volta para tomar café e conversar. A esquina continua ligada à sua história, agora também como o lugar diante do qual ele se preparou, em silêncio, para estudar.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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