O Cerrado tem papel decisivo no abastecimento de água e na regulação do clima, mas perdeu 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025. O dado do MapBiomas aparece no centro da campanha Vote pelo Cerrado, que defende a inclusão da agenda socioambiental nas escolhas eleitorais de 4 de outubro.
Conhecido como o coração das águas do Brasil, o bioma abastece 8 das 12 grandes regiões hidrográficas do país. Sua contribuição chega a 94% da vazão do Rio São Francisco, a 100% das águas do Pantanal e a 62% da bacia Tocantins-Araguaia, com impacto também na geração de energia elétrica.
A retirada da vegetação compromete a infiltração e o armazenamento de água no solo. Com isso, nascentes podem secar e o volume dos principais rios do Brasil pode diminuir. Mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi destruída, segundo a estimativa apresentada na campanha, afetando os aquíferos Guarani, Urucuia e Bambuí e reduzindo a vazão de rios usados na irrigação agrícola e no abastecimento das cidades.
Oito compromissos para o bioma
A campanha foi construída por organizações que atuam na proteção do Cerrado, entre elas a Rede Cerrado. A Rede de Sementes do Cerrado (RSC) também aderiu à iniciativa. A proposta é que o eleitor avalie o histórico e as propostas de candidaturas e partidos, considerando compromissos com leis, políticas públicas, orçamentos e prioridades voltados ao bioma, seus povos e à vida.
A Carta Compromisso do Vote pelo Cerrado reúne oito pontos: reconhecimento do Cerrado como patrimônio nacional; proteção das águas como direito fundamental; garantia de terra, território e autodeterminação dos povos; combate à grilagem e à violência no campo; enfrentamento dos impactos de grandes empreendimentos, com Consulta Livre, Prévia e Informada; promoção da agroecologia e fortalecimento da agricultura familiar; valorização da sociobiodiversidade e da soberania alimentar; e garantia de saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.
Clima e escolhas políticas
Áreas úmidas e veredas do Cerrado podem estocar até 1.200 toneladas de carbono por hectare — cerca de seis vezes mais que florestas típicas da Amazônia. A campanha relaciona essa função ao agravamento da crise climática, marcado por ondas de calor intenso, secas prolongadas e chuvas que causam inundações.
A orientação do movimento é não apoiar candidaturas favoráveis ao desmatamento do Cerrado ou à flexibilização das leis ambientais. Também defende representantes comprometidos com a demarcação de terras de povos e comunidades tradicionais e com ações de conservação e restauração.
No site votepelocerrado.org.br, é possível consultar quais candidaturas já aderiram ao compromisso com o Cerrado protegido.








