A definição do voto nas eleições deste ano pode influenciar o futuro das políticas ligadas à agroecologia, segundo Sarah Luiza, do Núcleo Executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Para ela, os projetos em discussão ainda não estão decididos e devem pesar na formação da próxima legislatura.
Em entrevista, Luiza afirmou que PL e PP concentram as propostas que mais ameaçam a agroecologia no Congresso. PT e Psol, por outro lado, aparecem como as siglas que mais contribuem para fortalecer e defender essas pautas. “A direita, especialmente PL e PP, são os partidos que mais ameaçam a agroecologia e as pautas da agroecologia no Congresso, enquanto PT e Psol são os partidos que mais contribuem, fortalecem e defendem a agroecologia no Congresso”, disse.
O que foi analisado
O levantamento da ANA reuniu 783 propostas apresentadas de janeiro de 2023 a junho de 2026. O conjunto aborda agroecologia e temas relacionados, como agricultura familiar, alimentação, direitos das mulheres, povos e comunidades tradicionais e territórios.
Dentro de uma amostra de 107 proposições examinadas com mais detalhes, 57% foram classificadas como iniciativas de defesa da agroecologia. Os outros 43% foram identificados como ameaças de retrocesso socioambiental. De acordo com a entidade, essas medidas de risco foram apresentadas principalmente por parlamentares da direita.
A avaliação também considerou ações do Executivo, além das propostas do Legislativo. Sarah Luiza explicou que a ANA realiza esse tipo de incidência há quatro eleições e que o objetivo é aproximar o tema do público, das candidaturas e dos eleitores.
Produção, territórios e alimentação
A abordagem adotada pela entidade não se limita à produção agrícola. A agroecologia é tratada também como um modo de vida, com atenção às mulheres, às juventudes e aos trabalhadores envolvidos nessa atividade.
Entre os assuntos identificados no debate estão a privatização das águas, a ampliação do uso de agrotóxicos, a pulverização aérea e a aplicação desses produtos por drones. Luiza afirmou que essas práticas ameaçam vidas e mencionou a criminalização de lideranças que defendem os territórios.
Para a integrante da ANA, a disputa envolve diferentes projetos de país e inclui a relação entre agroecologia e democracia. “Não há agroecologia sem democracia”, concluiu.







