LAGUNA — Em Laguna, no litoral de Santa Catarina, pescadores e botos selvagens trabalham juntos para capturar tainhas. A prática artesanal acontece ao longo do ano e movimenta a beira da água, atraindo curiosos e contribuindo para o jantar das famílias.
Os botos cercam os cardumes no fundo do canal e conduzem os peixes até a parte rasa. Quando chega o momento certo, um deles bate a cabeça ou o rabo na água. O movimento funciona como um sinal para que os pescadores lancem as tarrafas na direção do cardume.
A cooperação é descrita pela biologia como mutualismo: os dois lados obtêm vantagens sem que um precise ferir o outro. Os pescadores conseguem capturar peixes sem gastar com barcos caros, enquanto os botos aproveitam a confusão provocada pelas redes para pegar as presas assustadas.
Aprendizado passado entre gerações
A técnica não é praticada por todos os animais da região. Cerca de 20 botos, de uma população de 60 indivíduos, participam da pesca com os moradores. O comportamento é aprendido ao longo do tempo nas águas calmas da barra do canal.
Os filhotes observam as mães desde novos e repetem a estratégia quando chegam à fase adulta. O cuidado da comunidade com os animais também contribui para a proteção da população local, enquanto o movimento de visitantes pela orla gera renda.
Quando observar a pesca
A atividade pode ser acompanhada durante o ano inteiro, mas ganha mais movimento entre maio e julho, período da corrida da tainha. Nessa época, milhares de peixes sobem o litoral em busca de águas mais frias.
Para tentar ver os arremessos de rede sob a luz da manhã, a recomendação é chegar perto das 8h, no molho central. Quem acompanha a atividade deve respeitar o espaço dos animais e manter a praia limpa, medidas apresentadas como importantes para a continuidade da tradição.







