A expansão da mineração no Seridó, no Rio Grande do Norte, tem afetado casas e comunidades próximas às áreas de exploração. Na zona rural, Danielle Soares, moradora do Geoparque Seridó, mostra rachaduras na residência da família. Os pais dela deixaram o imóvel por causa dos riscos estruturais e passaram a viver na área urbana.
As explosões são realizadas por uma mineradora canadense chamada Aura. Rani Souza, do Instituto Seridó Vivo, afirma que a extração provoca desmatamento em grandes áreas da Caatinga e ocorre perto das comunidades. “Há explosões diárias, de segunda a sexta-feira”, diz. Segundo ela, os impactos incluem poeira, problemas respiratórios e rachaduras nas casas.
Soluções construídas no campo
Em outra frente, as cisternas ajudam famílias a enfrentar a falta d’água no semiárido, onde vivem cerca de 28 milhões de pessoas distribuídas por mais de mil e duzentos municípios, conforme o Instituto Nacional do Semiárido. Os reservatórios guardam a chuva, que costuma cair entre fevereiro e maio, para uso no período mais seco, entre junho e setembro.
O projeto começou em 2000 e ganhou escala a partir de 2003, no início do primeiro governo Lula. Hoje, beneficia 1,2 milhão de famílias do Rio Grande do Norte. As cisternas voltadas ao consumo humano armazenam 16 mil litros de água.
A turismóloga Raianne Kelly conta que, antes da instalação do sistema, precisava buscar água em um dessalinizador de uma comunidade vizinha. Com a cisterna, a família passou a usar a água da chuva para cozinhar e beber. Já o pecuarista José Fernandes, conhecido como Duda, afirma que o recurso contribuiu para sua permanência no campo. Ele também defende mais incentivo para que as novas gerações continuem nessa atividade.
Em 2014, durante o governo Dilma Rousseff, foram construídas quase 150 mil cisternas. Em 2022, no governo Jair Bolsonaro, o número ficou abaixo de 4 mil.
Energia e mudanças no clima
A agricultora Maria Josete relata que as chuvas passaram a começar mais tarde. Ela também relaciona a mudança às alterações climáticas. Em sua propriedade, um biodigestor transforma esterco de vaca em gás para a cozinha, reduzindo a necessidade de comprar botijões.
Francisco Teixeira, coordenador do Serviço de Apoio a Projetos Alternativos, questiona quem se beneficia dos projetos de desenvolvimento ligados à mineração e às energias eólica e solar. Para ele, as decisões precisam considerar as comunidades atingidas.
O conjunto de experiências mostra, no mesmo território, iniciativas de convivência com o semiárido e conflitos relacionados à exploração dos recursos naturais.







