Dois terços das 81 cadeiras do Senado Federal serão renovados em 2027. No próximo domingo (4), os eleitores deverão escolher dois candidatos para representar seu estado. A votação tem regras próprias e exige atenção para evitar votos em branco, incompletos ou anulados.
Em 2018, quando também havia duas vagas em disputa, cerca de 63 milhões de votos foram perdidos. O número correspondeu a 26,9% dos votos para o Senado; considerando também os eleitores ausentes, o índice chegou a 42%.
Como a votação funciona
A renovação do Senado ocorre de forma alternada. Em uma eleição, cada estado escolhe um senador, com 27 cadeiras em disputa. Na seguinte, são eleitos dois senadores por estado, renovando 54 vagas.
O sistema é majoritário: vencem os candidatos que obtêm mais votos válidos, mesmo que não ultrapassem 50%. Quando há duas vagas, os dois mais votados são eleitos.
O voto precisa ser nominal. Não há voto de legenda para o Senado, como ocorre nas eleições para vereadores e deputados estaduais e federais. Para validar a escolha, é necessário digitar na urna o número completo da candidatura, formado por três dígitos. Se o eleitor informar somente dois números, o voto será anulado.
Também é preciso votar em candidatos do mesmo estado do domicílio eleitoral. A escolha de um candidato de outro território não será computada.
Os dois votos são independentes
Para as duas vagas, o eleitor deve escolher candidatos diferentes. Se repetir o número, o sistema anulará o segundo voto. As escolhas, porém, não precisam ser da mesma chapa ou do mesmo partido.
O eleitor não é obrigado a preencher as duas opções. Pode escolher apenas um candidato e deixar a segunda vaga em branco ou anulá-la. O professor Rubens Beçak, da Universidade de São Paulo, defendeu o preenchimento dos dois votos: “É uma oportunidade única”.
Cada voto válido é contabilizado separadamente. Não há transferência de votos nem mecanismo que faça a segunda escolha validar ou alterar a primeira. Como explicou o advogado Guilherme Augusto Mota, “cada voto válido aumenta individualmente a votação daquele candidato”.
Estratégias e pesquisas
A chamada estratégia do voto útil aparece quando o eleitor abre mão de sua primeira opção para tentar influenciar a disputa pela segunda vaga. No Rio de Janeiro, Pedro Paulo tenta atrair votos da esquerda como segunda escolha ao lado de Benedita da Silva. O cenário também envolve Marcelo Crivella e Carlos Jordy.
A cientista política Maria Cecília Eduardo, da Universidade Federal do Paraná e do instituto ReDem, afirmou que esse tipo de distribuição pode concentrar votos em candidatos que não eram necessariamente os preferidos de determinado campo político.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24) mostrou Benedita da Silva com 19%, Carlos Portinho com 12%, Carlos Jordy com 12%, Pedro Paulo com 9%, Marcelo Crivella com 7% e Monica Benicio com 6%.
A disputa pela segunda cadeira pode ser apertada porque muitos eleitores têm uma preferência mais definida por apenas um nome. No Senado, não existe segundo turno.
Pesquisas no Paraná e em Sergipe também apontaram diferenças pequenas entre candidatos. No Paraná, Alexandre Curi apareceu com 14%, Deltan Dallagnol e Filipe Barros com 11% cada, e Gleisi com 10%. Em Sergipe, André Moura teve 12%, Delegado André David, 11%, e Rogério Carvalho e Delegado Alessandro, 10% cada.
Maria Cecília Eduardo observou que a escolha indicada em uma pesquisa pode não estar consolidada e não necessariamente se transformar em voto. Por isso, além de conferir os números completos, o eleitor deve lembrar que cada uma das duas escolhas é feita e contabilizada de maneira independente.








