A sobrevivência do pepino-do-mar depende menos de velocidade e mais da capacidade de transformar o próprio corpo em uma barreira contra o ataque. Algumas espécies alteram rapidamente a rigidez da parede corporal, liberam compostos desagradáveis ou procuram abrigo no sedimento e entre rochas. Outras podem lançar estruturas aderentes e até expulsar órgãos internos, que depois são reconstruídos.
Parente das estrelas e dos ouriços-do-mar, o pepino-do-mar é um equinodermo de corpo alongado. Sua parede muscular é coberta por pele e pequenas estruturas calcárias, sem a carapaça rígida comum em outros animais marinhos. Ele vive principalmente sobre ou dentro do sedimento e se desloca com pés ambulacrais.
A alimentação também ocorre sem perseguições. Muitos recolhem partículas orgânicas do fundo com tentáculos ao redor da boca; outros filtram material suspenso na água. Ao processar sedimentos e devolver nutrientes ao ambiente, o animal participa da circulação de matéria no fundo marinho. Esse modo de vida, porém, o deixa exposto a peixes, crustáceos, estrelas-do-mar e outros predadores.
Tubos pegajosos e órgãos expelidos
Uma das defesas envolve os túbulos de Cuvier, estruturas internas ligadas ao sistema respiratório. Em espécies que possuem esses tubos, eles podem sair pela abertura posterior e formar uma massa aderente sobre o agressor. O material pode dificultar a ação do predador e criar tempo para a fuga.
Esse mecanismo não é igual à evisceração. Na evisceração, partes do sistema digestório e outros tecidos são expulsos pela boca ou pela abertura posterior, conforme o grupo. O material eliminado pode distrair o predador, reduzir o que ele consegue agarrar ou acompanhar substâncias defensivas. Nem todos os pepinos-do-mar têm túbulos de Cuvier, e as respostas não acontecem necessariamente juntas.
A expulsão também pode ocorrer diante de estresse intenso, inclusive durante a manipulação humana. Tocar ou apertar o animal para provocar a defesa causa dano e não deve ser tratado como uma curiosidade inofensiva.
Regeneração exige energia
Depois da perda, o organismo fecha a área lesionada e reorganiza os tecidos restantes. Células mudam de função, proliferam e reconstroem partes do tubo digestório ao longo de dias ou semanas. O tempo varia conforme a espécie, a temperatura, a alimentação, o tamanho do animal e a extensão do dano.
A recuperação tem custos. Durante a regeneração, o pepino-do-mar redistribui energia e pode reduzir alimentação, crescimento ou reprodução. A defesa aumenta a chance de sobreviver ao ataque imediato, mas não torna o animal indestrutível.
Ao revolver o sedimento, consumir matéria orgânica e liberar nutrientes, o pepino-do-mar influencia a química do fundo e pode beneficiar microrganismos e outros animais. Quando suas populações são retiradas em excesso, esse serviço ecológico diminui. A regeneração e as defesas extremas, portanto, fazem parte de um conjunto de adaptações que compensa a falta de velocidade, dentes ou armadura.







