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Dia do Gaúcho destaca raízes guaranis e a memória da Revolução Farroupilha

Celebrado em 20 de setembro, o Dia do Gaúcho reúne tradições indígenas, heranças jesuíticas e a história farroupilha no Sul do Brasil.

Dia do Gaúcho destaca raízes guaranis e a memória da Revolução Farroupilha

O Dia do Gaúcho, celebrado em 20 de setembro, reúne referências culturais associadas ao Pampa, às tradições indígenas e à história da Revolução Farroupilha. A data é feriado no Rio Grande do Sul desde 1953, conforme a Lei Estadual nº 9.072. O reconhecimento também foi respaldado pela Lei Federal 9.093/95 e pela Constituição Estadual do RS, que a define como Data Magna.

A figura do gaúcho ultrapassa as fronteiras do Rio Grande do Sul e está presente no Uruguai, na Argentina, no Paraguai e em outros estados brasileiros, especialmente no oeste de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Entre os valores associados a essa identidade estão coragem, bravura, liberdade, senso de autonomia, hospitalidade, solidariedade e pertencimento.

Tradições e heranças indígenas

As características e os costumes do gaúcho têm origem fundamentalmente nos povos originários guaranis, com contribuições dos Charruas, de outros povos indígenas e dos negros. A valorização dessa história aparece nas artes, nas vestimentas, na gastronomia, na música e nas danças tradicionalistas.

A temática dos festejos Farroupilha é “Herança Jesuítica e Guarani no RS: 400 anos de cultura e tradição”. A referência está ligada ao início dos aldeamentos e reduções de Guaranis organizados por padres jesuítas da Companhia de Jesus na América do Sul, incluindo o Aldeamento ou Redução de São Nicolau, fundado pelo Padre Roque Gonzales.

A experiência reuniu conhecimentos indígenas e práticas europeias, embora o processo não tenha sido completamente pacífico. A presença jesuítica terminou com a expulsão dos padres das Américas e ataques aos indígenas pelos impérios espanhol e português. Nesse contexto, foram moldadas características e práticas que mais tarde seriam associadas ao gauchismo.

Chama Crioula e Acampamentos Farroupilhas

As comemorações ocorrem em cidades do Rio Grande do Sul, nos Centros de Tradições Gaúchas e nos Acampamentos Farroupilhas. Esses espaços são formados por construções de madeira, chamadas de piquetes, montadas por entidades tradicionalistas desde o fim de agosto.

Ali são realizados encontros ligados à gastronomia, à música regional, às danças, às oficinas, às palestras e aos debates. O chimarrão, o churrasco e o carreteiro fazem parte da celebração.

A abertura oficial dos festejos ocorre com o acendimento da Chama Crioula. Em 7 de setembro de 1947, um grupo de estudantes liderado por Paixão Côrtes retirou uma centelha do Fogo Simbólico da Pátria e a levou ao Colégio Júlio de Castilhos, conhecido como Julinho. O Fogo Simbólico da Pátria havia sido criado em Porto Alegre, inspirado nos Jogos Olímpicos de Berlim, de 1936.

O principal Acampamento Farroupilha é realizado em Porto Alegre. Neste ano, funciona de 29 de agosto até 20 de setembro, com 236 piquetes e expectativa de 2 milhões de participantes.

A Revolução Farroupilha

O 20 de setembro marca o início da Revolução Farroupilha, em 1835, quando rebeldes tomaram Porto Alegre. A capital foi retomada pelo Império, que concedeu à cidade o título de “Mui leal e valorosa”.

O conflito durou 10 anos e foi uma guerra contra o Império e a favor da República. Houve mais de 50 combates e a morte de mais de 3000 pessoas, em sua maioria farrapos, denominação usada para os liberais republicanos que se rebelavam contra a monarquia.

Entre as causas estavam os impostos elevados sobre o charque, enquanto o produto importado do Uruguai e da Argentina tinha taxas menores. Também havia insatisfação com a nomeação dos presidentes da Província de São Pedro pelo Império.

Em 1832, um núcleo republicano fundou secretamente, em Porto Alegre, o Partido Farroupilha. Depois de uma vitória contra o Exército imperial, Antônio de Souza Netto proclamou, em 11 de setembro de 1836, a República Rio-grandense como país livre e independente.

O movimento não reuniu apenas moradores do Sul. Baianos, cariocas, paraenses, italianos, uruguaios e estadunidenses também lutaram ao lado dos farroupilhas, influenciados por ideias republicanas e liberais antimonarquistas.

Mulheres, negros e o fim da guerra

As mulheres cuidaram das propriedades, sustentaram as famílias e atuaram como vivandeiras, cozinheiras e enfermeiras. No combate direto, Anita Garibaldi se destacou como símbolo da bravura farroupilha e também participou das lutas de unificação da Itália.

Os negros foram organizados em batalhões de infantaria e cavalaria conhecidos como Lanceiros Negros. Eles tiveram participação decisiva em combates, sob a promessa de liberdade. A partir de 1844, com a superioridade militar imperial, os farroupilhas iniciaram negociações com o Barão de Caxias.

Na última batalha, os Lanceiros Negros estavam acampados em Porongos, foram desarmados e atacados. Aproximadamente 110 morreram, e outros trezentos foram presos, incluindo oficiais. Em 1º de março de 1845, foi assinado o Acordo de Ponche Verde, no distrito do atual município de Dom Pedrito, na fronteira com o Uruguai.

Os militares farroupilhas foram incorporados ao Exército do Império. Os soldados negros sobreviventes foram transferidos compulsoriamente para uma unidade militar do Rio de Janeiro, enquanto outros fugiram para o Uruguai.

A República defendida pelos farroupilhas seria proclamada 49 anos depois, em 1889. A memória da Revolução Farroupilha permanece associada a ideias de justiça, dignidade, bravura, resistência e altivez, além do cultivo das tradições que marcam o Dia do Gaúcho.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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